Vacinação é chave na prevenção da perda auditiva infantil, aponta estudo

Imunização emerge como ferramenta subestimada na proteção contra infecções que comprometem a audição de crianças e adolescentes; OMS estima que 60% dos casos são evitáveis.


Por Gabriela Cupani, Agência Einstein

26/06/2025 às 10h48

Uma vasta revisão de estudos, liderada por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, e publicada em março no periódico Communications Medicine, destaca o papel crucial da vacinação na prevenção da perda auditiva em crianças e adolescentes. Infecções causadas por bactérias, vírus e parasitas são conhecidas por provocar surdez na infância, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 60% desses casos poderiam ser evitados por meio de medidas de saúde pública, incluindo a imunização.

Embora o conhecimento sobre a relação entre doenças infecciosas e déficit auditivo seja antigo, especialmente em casos de meningite e rubéola congênita, a pesquisa canadense enfatiza que o impacto da vacinação pode ser muito maior do que o atualmente reconhecido. “Muitas outras doenças preveníveis por vacinas também podem ter esse efeito, como a caxumba”, afirma o infectologista Alfredo Gilio, do Hospital Israelita Albert Einstein. A vacina tríplice viral, por exemplo, oferece proteção contra sarampo, rubéola e caxumba.

O estudo revisou artigos científicos dos últimos 40 anos, focando na imunização contra 26 microrganismos com potencial para causar surdez, como o vírus do sarampo (Morbillivirus) e da rubéola (Rubivirus), e as bactérias Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae e a causadora da meningite. Uma das principais constatações é a escassez de dados específicos sobre a associação entre vacinas e perda auditiva, especialmente em países de baixa renda. A maioria dos trabalhos analisados foi realizada em nações desenvolvidas, como Suécia, Finlândia, Estados Unidos e Japão, onde a introdução da vacina tríplice viral demonstrou uma redução na incidência de problemas auditivos. Os autores ressaltam ainda que novas vacinas, como a da malária, poderiam impactar positivamente a redução do déficit auditivo globalmente.

A perda auditiva afeta aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas no mundo, representando cerca de 20% da população. Entre crianças e adolescentes até os 15 anos, são 70 milhões de indivíduos com o problema. De 1990 a 2016, a perda auditiva foi a segunda causa mais prevalente de deficiência em menores de 5 anos, com sérios impactos no desenvolvimento cognitivo, na fala, na socialização e na alfabetização.

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