Poluição do ar aumenta risco de internação por doenças renais, aponta estudo

Pesquisa analisou dados de São Paulo entre 2011 e 2021 e identificou maior risco mesmo em níveis considerados baixos de material particulado


Por Tribuna de Minas

13/05/2026 às 12h15

A poluição do ar está associada ao aumento de internações por doenças renais, mesmo quando a concentração de material particulado fino está dentro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A conclusão é de um estudo apoiado pela FAPESP e publicado na revista Scientific Reports, que analisou dados da cidade de São Paulo entre 2011 e 2021.

A pesquisa estimou o risco de hospitalização por três condições renais conforme os níveis de material particulado fino no ar, emitido principalmente pela queima de combustíveis por veículos. Homens de diferentes faixas etárias foram os que apresentaram maior risco de internação.

Segundo o estudo, a exposição a baixas concentrações do poluente, considerando o limite de 15 micrômetros por metro cúbico em 24 horas recomendado pela OMS, já foi suficiente para elevar o risco de hospitalização por injúria renal aguda em homens. Para mulheres, esse aumento não foi observado nessa condição.

“A exposição do paulistano a esse material chegou a 65 microgramas por metro cúbico, mais de quatro vezes o máximo tolerável segundo a OMS. No entanto, mesmo concentrações dentro do limite ainda mostraram relação com internações por doenças renais, um resultado que indica a necessidade da intensificação de políticas para redução da poluição do ar”, afirma Iara da Silva, primeira autora do estudo, desenvolvido durante seu doutorado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

O trabalho integra o projeto “A poluição do ar é o motor do envelhecimento renal prematuro”, apoiado pela FAPESP e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO), sob coordenação de Lucia Andrade, professora da Faculdade de Medicina da USP.

poluicao no ar foto Daniel Antonio Agencia FAPESP
Para a doença renal crônica, a exposição de longo prazo ao nível mais alto encontrado entre 2011 e 2021 aumentou consideravelmente o risco para indivíduos entre 19 e 50 anos e foi até 2,5 vezes maior para homens entre 51 e 75 anos (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Risco aumentado

O material particulado fino é formado por partículas sólidas ou líquidas com menos de 2,5 micrômetros. Os resultados indicam que a exposição a esse tipo de poluição pode aumentar em até quatro vezes o risco de hospitalização por doença renal crônica, conforme a faixa etária e o nível de exposição.

Para a doença renal crônica, a exposição prolongada ao maior nível encontrado no período analisado, de 65 microgramas por metro cúbico, elevou o risco de internação em pessoas de 19 a 50 anos. Entre homens de 51 a 75 anos, o risco chegou a ser até 2,5 vezes maior.

A exposição prolongada a altas concentrações também aumentou o risco de hospitalização por injúria renal aguda em homens de 19 a 50 anos. Já o risco de glomerulopatias, doenças que afetam estruturas responsáveis pela filtração do sangue, foi maior entre homens com menos de 40 anos.

Esse mesmo nível de exposição também elevou o risco cumulativo de internação por nefropatia membranosa, uma forma de glomerulopatia, independentemente de idade e sexo.

“A hipótese é que o material particulado que respiramos pode ir para a corrente sanguínea e se depositar em tecido renal, onde é tomado pelo sistema imune como corpo estranho, o que faz com que o organismo produza uma série de mediadores inflamatórios, de fibrose e de envelhecimento precoce [senescência]”, explica a pesquisadora.

Em estudo anterior, o grupo comparou a resposta à injúria renal aguda em camundongos expostos ao ar de São Paulo com a de animais que respiravam o mesmo ar após filtragem.

“Nos animais, observamos que aqueles expostos ao material particulado tiveram uma doença mais grave. Houve diminuição da filtração glomerular, mais inflamação nos rins, mais vias de necroptose [morte celular], além de apresentarem marcadores de senescência e fibrose. Em longo prazo, há mais chance de a condição evoluir para doença renal crônica”, afirma.

Para as pesquisadoras, os dados preocupam pelos impactos na qualidade de vida e nos custos do sistema de saúde. Em casos graves, pacientes com doenças renais podem precisar de hemodiálise ou transplante de rim.

Em uma nova etapa da pesquisa, o grupo brasileiro e neerlandês pretende acompanhar pacientes transplantados e comparar os desfechos de saúde conforme diferentes níveis de exposição ao material particulado.

“Existem políticas públicas para redução da poluição do ar em andamento, que não têm sido suficientes. Precisamos mesmo de um novo modelo de desenvolvimento que não demande a queima de combustíveis fósseis, também maior responsável pelo aquecimento do planeta”, afirma Silva.

 

Texto com informações da Agência FAPESP, reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

Resumo desta notícia gerado por IA

  • Estudo apoiado pela FAPESP relacionou a poluição do ar ao aumento de internações por doenças renais.
  • A pesquisa analisou dados da cidade de São Paulo entre 2011 e 2021.
  • Mesmo concentrações dentro do limite recomendado pela OMS foram associadas a maior risco de hospitalização.
  • Homens de diferentes faixas etárias apresentaram maior risco para algumas condições renais.