Entulhos e resíduos das chuvas: saiba como e onde descartar corretamente em Juiz de Fora
Ecopontos e Parque de Exposição estão servindo como locais para descarte de barro, escombros e lixo oriundos das chuvas

Após os estragos provocados pelas fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, moradores e instituições têm se mobilizado para realizar o trabalho de limpeza e recuperação de casas e ruas. Nos últimos dias, pilhas de entulhos, móveis danificados e objetos inutilizáveis passaram a ocupar calçadas e vias em diferentes pontos da cidade, resultado da retirada de lama e dos materiais perdidos com os temporais. Diante desse cenário, surgem dúvidas sobre como fazer o descarte correto desses resíduos, o que ainda pode ser reaproveitado e quais são os locais indicados para a destinação adequada. Para orientar a população nesse processo, a Tribuna ouviu um especialista sobre as formas adequadas de destinação desses materiais e procurou a Prefeitura para saber quais serviços e pontos de coleta estão disponíveis na cidade.
O professor de engenharia ambiental e sanitária da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e coordenador do projeto Recicle, Samuel Castro, explica que o manejo inadequado de resíduos tende a intensificar riscos sanitários, ambientais e estruturais após enchentes e deslizamentos. Segundo ele, entre os erros mais comuns estão a mistura indiscriminada de materiais, o descarte de entulhos em pontos irregulares (terrenos baldios, encostas e margens de córregos), a queima de resíduos e a ausência de segregação adequada dos materiais contaminados. Também é frequente que grandes volumes de entulho sejam deixados nas vias públicas sem qualquer orientação ou organização, o que pode obstruir ruas e dificultar a atuação das equipes de emergência.
De acordo com o professor, práticas como essas favorecem a proliferação de vetores de doenças, podem contaminar o solo e a água e ainda sobrecarregam o sistema de drenagem urbana, aumentando os impactos ambientais e os custos das ações de limpeza e recuperação após desastres.

O professor ressalta que os eventos extremos que têm atingido Juiz de Fora não são episódios isolados, mas refletem a complexidade do sistema urbano, ambiental e social da cidade, que precisa ser pensado de forma integrada. Segundo ele, compreender o problema de maneira sistêmica significa reconhecer que o uso e ocupação do solo, a drenagem urbana, o planejamento público e o comportamento individual estão interligados.
“O lixo descartado de forma irregular entope bueiros, obstrui córregos e potencializa alagamentos; além disso, a má destinação, especialmente em lixões e aterros sem controle adequado, contribui para a emissão de gases de efeito estufa, que intensificam as mudanças climáticas e, consequentemente, ampliam a frequência e a intensidade dos eventos extremos”, ele explica.
O especialista defende que é essencial aprender com essas situações, fortalecendo políticas públicas, investindo em infraestrutura e na manutenção dos sistemas de saneamento, além de estimular a educação ambiental e práticas responsáveis, como reduzir, reutilizar e separar corretamente os resíduos. Ele destaca ainda que, diante dos impactos já existentes, a união entre poder público, setor privado, academia e sociedade civil é fundamental para reconstrução e para a construção de um modelo de resiliência urbana.
Como separar resíduos das chuvas e aproveitar materiais recicláveis

Nem todo resíduo gerado precisa ser levado a aterros sanitários. Conforme o professor, uma parcela significativa pode ser reaproveitada quando há triagem adequada. Além dos recicláveis comuns, materiais da construção civil, como concreto, tijolos, metais e plásticos rígidos não contaminados, têm potencial de recuperação. Já móveis estofados, colchões, lama urbana, alimentos deteriorados e objetos impregnados por água suja ou esgoto geralmente devem ser descartados em aterros, devido ao risco sanitário.
“Estudos indicam que parte considerável do volume de resíduos gerados em desastres podem ser recuperados, dependendo do nível de contaminação e da organização da coleta, o que reforça a importância da separação correta após o evento para reduzir impactos ambientais e custos públicos”, alerta Samuel.
Ele orienta que a separação correta deve priorizar a organização por tipo de material e nível de contaminação, sempre utilizando equipamentos de proteção individual (luvas, botas, máscaras e outros), evitando contato direto. “Essa separação simples na origem reduz riscos à saúde e ao meio ambiente, facilita a logística municipal e aumenta o potencial de reaproveitamento dos materiais.”
Ecopontos recebem resíduos de construção civil e recicláveis
A cidade conta com cinco ecopontos distribuídos na Zona Oeste e Norte. Esses locais são responsáveis por receber, acondicionar e destinar corretamente os resíduos da construção civil, resíduos verdes (poda, capina e roçada), materiais recicláveis, além de resíduos volumosos, como móveis e eletrodomésticos.
Os ecopontos ficam localizados nos seguintes endereços:
- Rua José Apolônio dos Reis, 100, Bairro Aeroporto – em frente ao Ginásio Municipal;
- Rua Antônio Weitzel, s/n, Bairro Barbosa Lage – em frente ao número 710, na faixa de domínio da linha férrea;
- Rua Francisco Pinheiro, Bairro Nova Benfica;
- Rua José Meirelles, Bairro Parque das Águas;
- Rua Carlos Tavares de Pinho, Bairro Retiro.
Além disso, em atenção à calamidade vivida pelo município, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) tem recolhido os resíduos das vias afetadas e atendido às demandas emergenciais. Os pedidos podem ser encaminhados ao Gabinete de Ação e Diálogo Comunitário pelo telefone (32)3690-7241.
Parque de Exposições recebe resíduos temporariamente para agilizar limpeza da cidade

Outro local que passou a ser um ponto de recebimento de escombros e lixo oriundos das chuvas é o Parque de Exposições. A medida é temporária e tem o objetivo de agilizar o processo de limpeza da cidade, conforme explicou o Demlurb.
Segundo o órgão, o local funciona como ponto de apoio operacional e transbordo, onde os materiais permanecem por poucos dias, apenas pelo tempo necessário para organização logística e redistribuição adequada.
“A medida tem como objetivo agilizar o processo de retirada dos resíduos das ruas, permitindo maior rapidez na desobstrução das vias e na retomada da normalidade da cidade”, diz a nota enviada ao jornal.
Após essa etapa inicial, os materiais estão sendo encaminhados para locais licenciados. Materiais como móveis e objetos estão sendo levados para o aterro de Dias Tavares, enquanto os materiais contaminados com barro e outros escombros estão sendo enviados aos aterros do Linhares e de Grama, conforme critérios técnicos e operacionais.
“O Demlurb reforça que não se trata de destinação final, mas sim de uma estratégia emergencial para dar mais celeridade ao trabalho de limpeza pesada que vem sendo realizado em toda a cidade”, finaliza.
O local, situado no endereço Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 2400, no Bairro Jóquei Clube, Zona Norte da cidade, está recebendo tanto as ações de limpeza da Administração Pública quanto as de iniciativas particulares.