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Quem são elas e quais as histórias que escolheram contar?

autoras da antologia entre nos foto destaque
Parte das autoras da antologia entre nos
Carol Canêdo, editora da Autoria, e parte das autoras da antologia “Entre nós”, obra que reúne histórias sobre a relação entre mãe e filho – Foto: Giza Gomes
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Quem é você e que história escolheu contar? Esta é a pergunta que fiz a cada uma das mulheres que integram a primeira antologia da editora Autoria. São 27 vozes femininas dedicadas a uma escrita sensível e poética sobre a relação entre mãe e filho. Hoje, elas ocupam a coluna Sala de Leitura e aqui, como no livro, assumem a autoria da escrita. São elas próprias que se apresentam: Anna Pereira Avelar, Ariele Sousa, Bruna Malagoli, Carol Tafuri, Célia Barbosa, Cristina Araújo, Cynthia Hosken, Daniela Martins, Fernanda Fortes, Fernanda Polisseni, Gabi Frossard, Giovana Amorim Freitas, Isabela Contti, Ivone Adelina, Jéssica Peixinho, Juliana Castelano, Larissa Jamarchi, Lilian Rodrigues, Loane Costa Machado, Luciene Teixeira, Luiza Carvalho, Luiza Rocha, Maria Luiza Stehling, Nathalia Bertolozo, Selma Carla, Silvana Ferreira, Vanessa Archanjo Marculino.  

Nesse emaranhado de afetos, há jornalistas, psicólogas, professoras, psicanalistas, doula, médica, historiadora, advogada, juíza, executiva, artista, escritora, bióloga, amantes da literatura e da arte, mães, filhas, netas, mulheres marcadas por ancestralidade e resistência. Enfim, diferentes experiências de vida que, transformadas em literatura, resultam em múltiplos olhares em torno do universo que a obra percorre. “Aqui, falamos de mulheres recém apresentadas à maternidade,  de mulheres que já se veem ‘cuidando’ de suas mães, de mulheres que trazem os filhos de outras ao mundo, de mulheres que amam a maternidade, outras nem tanto, de mulheres que não desejam ser mãe, mas todas filhas, afetadas pela mãe que tiveram ou têm”, explica Carol Canêdo, editora da publicação, destacando que muitas das autoras estão experimentando a escrita literária pela primeira vez. “Elas percorreram um caminho com laboratório de escrita criativa, encontros e muitas trocas, e construíram um espaço seguro e confortável para falar dos seus afetos e para serem elas mesmas.” 

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Com lançamento previsto para o mês de setembro, o livro “Entre nós” já está em pré-venda, e os interessados podem adquiri-lo por meio do perfil, no Instagram, da Autoria Casa de Cultura e da Editora Autoria. O texto de orelha da antologia é da psicanalista Fernanda Viglioni, e a apresentação é da jornalista Sara de Moraes, que, assim como as 27 autoras, revela-se, pela escrita, aos leitores desta coluna. 

 

“Sou feita das histórias que vieram antes de mim. Acompanho três gerações atravessadas por expectativas, afetos e silêncios. Escrevo sobre heranças que permanecem, caminhos que se transformam e a liberdade de reconhecer os próprios desejos, inclusive quando ainda não sabemos nomeá-los. Habito este lugar: entre o que recebi e aquilo que escolho.” Anna Pereira Avelar

“Nas horas vagas, gosto de ler, escrever novas histórias e narrativas que nos levam a outros mundos — visíveis e invisíveis. Também gosto de cantar e tocar violão. A música sempre fez parte da minha vida e, a cada dia, se faz ainda mais presente. Escolhi escrever meu capítulo sobre as escolhas que fazemos baseadas nas crenças que carregamos, muitas vezes passadas de geração em geração, sem questionar.” Ariele Sousa

“Na antologia ‘Entre nós’, o puerpério une as três versões de Bruna: a filha, a mãe e a doula. Sou a filha mais velha de três irmãos, mãe da Clara e da Alice e doula por paixão. Ao vivenciar as intensas transformações do puerpério pessoalmente e ao lado de tantas mulheres, decidi expressar em texto a importância dessa fase Entre Nós.” Bruna Malagoli

“Sou Carol Tafuri, jornalista, apaixonada por literatura e atuante na luta feminista. Executiva de negócios, uso minha voz para levantar reflexões profundas do papel da mulher na sociedade atual. Minha crônica que integra o livro ‘Entre nós’ chama-se ‘Grão de arroz’ e conta a história de uma mulher que descobre uma gravidez em meio a um cenário de instabilidade emocional e profissional, ressignificando a relação com sua mãe.” Carol Tafuri

“Sou Célia Barbosa, filha de Antônio e Maria Geny, criada no interior de Minas Gerais com amor, simplicidade, fé e valores que carrego até hoje. Pedagoga em Educação Infantil há 32 anos. Ao longo dessa trajetória, descobri que educar também é acolher, escutar, cuidar e acreditar nos sonhos de cada criança. A escrita tornou-se uma forma de preservar histórias, honrar minhas raízes e valorizar os vínculos afetivos que atravessam gerações.” Célia Barbosa  

Parte das autoras da antologia “Entre nós”, já em pré-venda na Editora Autoria – Foto: Anaís Zanetti

 

“Sou Cristina Araújo e meu texto começou a ser escrito do meu lugar de mãe. Tenho dois filhos afetivos e uma biológica e no início me parecia claro escrever sobre os desafios de ser madrasta e os preconceitos pitorescos que essa maternidade enfrenta. Mas, ao longo da imersão, senti necessidade de me referir à minha mãe e indagar ‘quem cuida da mãe’.” Cristina Araújo

“Sou Cynthia Hosken, escritora e bióloga, com mestrado em Entomologia (estudo dos insetos). Mineira de Carangola, ainda vivo nas Gerais, agora em Juiz de Fora, onde exercito o voluntariado em vários projetos sociais. Chego até meus leitores através do Instagram ‘Borboletando’ e me intitulo curadora de poesias. No ‘Entre nós’, escrevi sobre a minha mãe e tudo o que une nós duas, em qualquer tempo.” Cynthia Hosken

“Sou Daniela Martins, mãe, psicanalista e mulher que aprendeu a seguir entre a dor, a vida e os recomeços. Em ‘Maternar a si mesma’, revisito a menina que fui aos 14 anos, quando encontrei no amor recebido, nas memórias e na música uma forma de permanecer junto de mim. Anos depois, ao me tornar mãe, atravessei novamente o câncer e compreendi que não me abandonar também era uma forma de cuidado. Hoje, levo essa compreensão à minha prática clínica, acompanhando pessoas diante da própria dor.” Daniela Martins

“Sempre fui da palavra. Escrita. Trabalho com ela. Me curo com ela. Me descubro com ela. No momento mais difícil da minha vida, que foi o luto de mãe, escrevi ‘Que eu não morra’, uma carta à minha mãe, numa forma de ressignificar a dor, entender a passagem e a história linda que temos e sempre teremos juntas.” Fernanda Fortes

“Fernanda Polisseni, ginecologista e especialista em reprodução humana, mas, sobretudo, alguém que tem o privilégio de acompanhar de perto histórias de mulheres que sonham em se tornar mães. Em ‘Entre nós’, conto uma das muitas histórias que me atravessam e tanto me emocionam. Uma história sobre esperança, coragem e sobre o quão extraordinário pode ser o desejo da maternidade.” Fernanda Polisseni

“Sou Gabi Frossard. Na antologia, estou como filha de Regina Maria, mulher que me ensinou que toda história começa antes da gente. Percebi cedo que algumas coisas só encontram lugar quando viram palavras, carrego muitas delas por aí: memórias, perguntas e afetos. Atravesso a vida com minha mãe-amiga, construindo formas de olhar para o mundo. Busco sempre lembrar de olhar de volta pra ela. Meu texto é um registro poético, inventivo, sincero e amoroso desse olhar.” Gabi Frossard

“Filha da Ivone e do Osmar, assim eu responderia há alguns anos. Ainda guardo muito deles, mas também sou as minhas escolhas e oportunidades. Por acreditar que até os vínculos mais estreitos são feitos de individualidades, em ‘Recortes de uma Mulher Inteira’, revisito a infância embalada pelo som da tesoura de costura da minha mãe e a sua descoberta para além da figura materna.” Giovana Amorim Freitas

“Eu sou Isabela Conti. Sou psicóloga e psicanalista. E resolvi contar a história da maternidade que ninguém escuta ou gosta de escutar. A história que se conta apenas em uma análise ou para quem consegue suportar ouvir. Escolho contemplar esse lado da dor na maternidade, o lado B esquecido. Falo também das escolhas repetidas que fazemos ao nos tornarmos mães. Aquilo que mais repudiamos em nossas próprias mães e repetimos.” Isabela Contti

“Eu sou Ivone, um ser em evolução.  Amo a pesquisa, o processo criativo e de construção, a música, a literatura e a arte. Agora, com o incentivo da Autoria, por meio de Carol, estou encantada com a escrita e nela procurei destacar o poder do sonho, da resiliência e do trabalho, pertinentes ao legado que minha mãe deixou.” Ivone Adelina

“Quem sou eu depois que me tornei mãe? Essa pergunta me acompanha há dois anos, desde que meus dois filhos nasceram e eu renasci. Sou Jéssica, tenho 29 anos, casada, formada em Psicologia, e escrevo sobre o processo de me reencontrar depois de me tornar mãe — não para voltar a ser quem eu era, mas para descobrir minha nova versão. Minha história fala sobre conexão, vazio, renúncias, força e amor. E, sobretudo, sobre aprender a cuidar de alguém sem esquecer de mim.” Jéssica Peixinho

“Juliana: fruto de uma história de resistência, cuidado e amor. Carrego em mim o legado de minha avó Mariana, mulher que cumpriu sua existência com uma personalidade forte e um coração generoso, e mãe da doçura, da sensibilidade e da potência que atravessa gerações até outra Mariana, a minha filha. Histórias que se cruzam e se completam na construção de mulheres que vieram ao mundo para deixar suas marcas profundas como mães e como filhas.” Juliana Castelano

Capa da antologia “Entre nós” – Foto: Giovani Lopes

 

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“Mais do que uma necessidade, a escrita é, para mim, uma forma de honrar a minha ancestralidade e eternizar as minhas raízes, de maneira visceralmente poética e fictícia. Penso em Maria dos Anjos como Rachel de Queiroz pensava em suas protagonistas. Mas ela não é de Rachel, ela é minha. Tão minha como a mim mesma.” Larissa Jamarchi 

“Eu sou Lilian Rodrigues, mãe de três lindos filhos, filha de duas grandes pessoas — Hélio e Adeiza. Como psicóloga, eu poderia ter escolhido escrever sobre assuntos diversos, mas, nessa antologia, decidi homenagear minha mãe e minha avó em um conto que demonstra a força das mulheres e da relação entre mães e filhos. Nós somos fruto de nossa história e do melhor que aprendemos dela!” Lilian Rodrigues

“Um dia, uma médica me disse que eu não poderia engravidar. Tudo bem, eu pensei, não estava mesmo nos meus planos. Eu acreditei nela e acreditei também que não queria ser mãe. Meu nome é Loane, e aqui eu conto como foi me tornar quem eu deveria ser.” Loane Costa Machado

“Sou Luciene Teixeira e, por muito tempo, não me imaginei mãe. Voltei boa parte da minha vida para os estudos e dedicação à carreira. Sou Juíza há dez anos, e, nos últimos cinco, comecei a pensar sobre a maternidade. Essa mudança de pensamento me fez percorrer uma trajetória desafiadora, a qual compartilho na antologia ‘Entre nós’, onde alio meu amor pela leitura e escrita à alegria por estar ao lado de mulheres tão inspiradoras, falando sobre um tema que nos atravessa de forma tão intensa.” Luciene Teixeira

 

 

“Sou professora e artista. Encontrei na escrita uma forma de me expressar e me experimentar. Estreio como autora no projeto ‘Entre nós’, que busca explorar as relações maternais. Meu texto, no livro, busca repensar as expectativas impostas às filhas e explorar os elementos da minha criação que resultaram na pessoa que sou hoje.” Luiza Carvalho

“Sou advogada e mãe de duas meninas. Sempre me encantou a reflexão sobre as mudanças nos nossos papéis dentro da relação materna, que é tão imponderável. Cheia de nuances, vai se construindo e reconstruindo com a passagem do tempo. No texto, procurei trazer um pouco dessa reflexão sob a perspectiva tanto de mãe, quanto de filha.” Luiza Rocha

“O que mais gosto de fazer? Ler, falar, escrever. Isto me traz vida, levo isso como uma vocação. É sempre um chamado em meu ouvido. E eu atendo com uma resposta incontida. Assim escrevi  ‘Fases da mesma moeda’ sobre sexualidade e maternidade. A ‘cegonha’ deixa o bebê e leva Eros. Se isso representa ou representou uma experiência sua, abra a página e esteja ‘Entre nós’. Vamos descrever e desvendar caminhos para aliar os diversos papéis com harmonia e proporção.” Maria Luiza Stehling

“Moro em Portugal. Sou formada em Filosofia e estudo História da Arte. Uma viagem íntima pelas reminiscências de uma filha que revisita a infância e a relação com a mãe por meio de aromas, sabores, fotografias e cartas guardadas pelo tempo. Entre lembranças, silêncios, desencontros e afetos, o passado ganha novos sentidos. A arte e a memória tornam-se caminhos para compreender o que um dia pareceu incompreensível. Ao reencontrar sua história, ela descobre que nem tudo precisa de respostas para ganhar um novo significado.” Nathalia Bertolozo 

“Sara de Moraes é uma mente inquieta repleta de projetos. Jornalista, doutora em comunicação e agora pós-doc na UFF. Recentemente, lancei o livroAmor & Redundâncias’, pela Autoria. Mãe de Davi, de 11 anos, e filha de Neusa, pedagoga e bonequeira, aceitei o convite para fazer parte da antologia e falar sobre o lado não tão charmoso da gravidez. Amo viajar pelo mundo e, quando quero fechar as 96 abas em minha cabeça, dança flamenco.” Sara de Moraes

“Forjada na dificuldade da zona rural da década de setenta, aprendi desde muito cedo o poder da partilha e da oralidade na construção do sujeito. Orgulho-me de minha origem, e, neste capítulo, tento honrar esse lugar e as pessoas que o compõem, por meio de minha voz. Para mim, revisitar os afetos e memórias que me atravessam tem sido um ato de coragem e ousadia. Com uma escrita simples, falo de minha mãe. Falo do meu olhar sobre ela. Falo da minha filha. Falo de amor.” Selma Carla

“Sou Silvana Ferreira. Historiadora formada pela UFJF. Resido na cidade desde os 17 anos. Interessada por histórias, reais ou imaginárias, iniciei meu gosto literário quando criança, em Senador Firmino, MG. Em ‘Minhas meias molhadas’, a imagem da minha mãe e da minha avó materna (parteira) e da minha avó paterna (doceira) são memórias afetivas que alicerçam minha vida e influenciam minha escrita.” Silvana Ferreira

“Sou Vanessa Archanjo Marculino, esposa do Júnior, mãe da Alícia e das gêmeas Lara e Júlia. Sempre sonhei em ser mãe. Na segunda gravidez, o pânico de esperar gêmeas me fez bater o carro logo após o ultrassom. Aquela batida virou metáfora do medo de não dar conta. Com elas, aprendi que amor não se divide, se multiplica, e que é possível maternar com coragem sem abandonar meus sonhos.” Vanessa Archanjo 

 

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