Novo modelo
Ao participar ontem de debate na Rádio CBN, com o cientista político Fernando Perlato, o ex-deputado Paulo Delgado advertiu que o país já não vive mais um presidencialismo de coalizão, que, por si só, já se revelou problemático. Para ele, trata-se, sim, de um presidencialismo de coabitação, no qual o Congresso é formado por grupo de interesses. Na sua avaliação, temas fundamentais para o país ficam à margem das discussões, como a reforma da Previdência e do próprio modelo político. Se não forem feitas mudanças, os jovens que entram hoje no mercado de trabalho correm o risco de ficar sem benefícios ao se aposentarem. Na instância política, a reforma deveria começar com o modelo que define os eleitos. Numa Câmara Federal com 513 parlamentares, cerca de 40 deputados foram eleitos pelos próprios votos, os demais são fruto de coligações. Delgado considera que o eleitor é, de uma certa forma, traído, pois vota num nome e acaba, indiretamente, elegendo outro.
Quadro tenso
Na avaliação do atual quadro político, com um processo de impeachment prestes a ser aberto no Senado, o professor Fernando Perlato lembrou que as tensões fazem parte da democracia, embora haja limites para as manifestações. Delgado, por sua vez, vê o atual Parlamento sem virtudes políticas, por conta, principalmente, da representatividade que ele leva para o Congresso. Muitos são fruto de coligações sem qualquer link com o cidadão que definiu seu voto. Por isso, é possível ver situações em que, na hora do voto, poucos falam diretamente para os eleitores, preferindo a velha fórmula de falar em fé e família.
Em espanhol
O ex-presidente do Uruguai José Alberto Mujica Cordano vai receber o Grande Colar na solenidade desta quinta-feira, em Ouro Preto, quando o Governo do Estado entrega a Medalha da Inconfidência a personalidades e entidades escolhidas por uma comissão especial e pelo Conselho Permanente da Medalha. Por conta disso, ele também deve ser o orador a falar, mesmo em espanhol, em nome dos demais homenageados no evento a ser presidido pelo governador Fernando Pimentel. A solenidade, na praça principal da cidade, tem, também, como característica, protestos, sobretudo de servidores públicos na busca de benefícios para a carreira.
Com Itamar
Num momento em que o país discute um eventual governo do vice-presidente Michel Temer, o prefeito Bruno Siqueira, pelo Facebook, postou, no domingo, após a votação do processo da presidente Dilma, foto em que, ainda mais jovem, se coloca ao lado do ex-presidente Itamar Franco, que assumiu com o impeachment de Fernando Collor. “O Brasil que vai amanhecer nesta segunda-feira tem a grande oportunidade de corrigir os erros recentes e voltar a construir os caminhos para o seu desenvolvimento. Para isso, é necessária a união de todos, independentemente de qualquer partido, ideologia, classe social, região ou crença. Acima de tudo, o que estão em jogo é o presente e o futuro da nossa população. Essa deve ser a única motivação da classe política, com correção máxima e honestidade, como nos ensinou Itamar Franco em outro momento também tão grave.”






