Painel 16-06-16

Por Paulo Cesar Magella

Já sabia

Júlio Delgado (PSB) foi um dos raros deputados a saber de véspera qual seria o voto da baiana Tia Eron (PRB), até então, favas contadas a favor do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, do Conselho de Ética. Durante sua recente visita à cidade, quando participou da feijoada do colunista Cesar Romero, revelou a alguns interlocutores que a parlamentar iria surpreender. Ele tinha sido um dos dois únicos deputados por ela convidados para um jantar em sua homenagem. As fotos publicadas nos principais jornais do país, inclusive na Tribuna, são emblemáticas: a parlamentar se mostra confortável ao lado do colega juiz-forano, permitindo-se, inclusive, sorrir durante uma tensa sessão que autorizou a continuação do processo.

 

Sem surpresa

Com uma longa experiência no mundo jurídico, o professor Paulo Roberto Medina acertou integralmente ao abordar o pedido de prisão formulado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra próceres do PMDB. Ouvido pelo Painel, o advogado, que é membro do Conselho Federal da OAB, disse que dificilmente o ministro Teori Zavascki aceitaria o pedido contra os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney, mas não tinha tanta certeza quanto ao deputado Eduardo Cunha. Não deu outra: Teori negou a prisão, mas deu prazo de cinco dias para que o presidente afastado da Câmara se defendesse. Ou seja, não está convencido de sua inocência.

 

E se…?

É pouco provável, mas o temor de alguns gabinetes de Brasília é se o deputado Eduardo Cunha, acossado pelo risco de prisão e de outros processos oriundos da Lava Jato, topar uma delação premiada. Envolvido nas entranhas do poder desde sempre, e com um estilo pouco republicano de capitalizar apoios, ele conhece a vida de boa parte do Parlamento e de outros setores do poder, podendo arrastar muita gente de reputação ilibada para a corte do juiz Sérgio Moro ou para as mãos do ministro Teori Zavascki.

 

Vai depender

Ao encaminhar para as cortes superiores a consulta sobre a tramitação de seu processo, considerando que só poderá ser processado se a Assembleia Legislativa aprovar, o governador Fernando Pimentel joga com a força de sua base no Legislativo mineiro. Mas há controvérsia. Destacados parlamentares consideram que autorizar o processo é uma coisa; autorizar a cassação é outra. Em suma, se for apenas para processar, a maioria do governador pode não ser suficiente. Se for para tirá-lo já do cargo, aí, sim, a base funcionaria coesa, garantindo a sua permanência no cargo.

Guilherme Arêas

Guilherme Arêas

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