Jogo político
Enquanto alguns candidatos a prefeito já fazem as primeiras ações para ter apoio, sobretudo aqueles de primeira viagem, outros ainda estão na expectativa de definição do quadro, uma vez que as incertezas política e econômica têm freado algumas pretensões. Ser prefeito, hoje, não é um mero desejo, mas um projeto que carece de profunda avaliação tal o cenário de dificuldades imposto aos municípios, e administrar dificuldades não é uma questão simples. Por conta disso, vários projetos estariam sendo revistos, até mesmo entre as chamadas grandes siglas como PT, PSDB e PMDB. Nos bastidores, as conversas passam por várias possibilidades de acordos, alguns até inesperados, mas possíveis ante a necessidade de vitória. O eleitor será surpreendido, mas só a partir de abril, quando fecha a janela partidária e começa o ciclo de convenções para a escolha dos candidatos.
Incertezas
Por conta disso, ainda há indefinições no PT e no PSDB que podem ir até o limite dos prazos. O Partido dos Trabalhadores, que deverá pagar a maior conta por conta do desgaste do Governo federal, ainda espera a palavra final da deputada Margarida Salomão, nome com maior visibilidade política da legenda. Mas ela estaria disposta a pagar essa conta, sobretudo num momento em que sua ação em Brasília ganhou mais relevância para defender as teses do Governo, após a perda de quadros qualificados pelo partido? E se ela não for, o partido partiria para um plano B, que poderia ter o ex-reitor da UFJF Renê Mattos como opção, ou iria para uma composição?
Pragmatismo
Mesmo que as bases reajam, vale o pragmatismo. O governador Fernando Pimentel não estaria disposto a perder nos municípios estratégicos, como Juiz de Fora, admitindo até mesmo acordo com outros partidos, inclusive o próprio PMDB tal o seu entrosamento com o vice-governador Antônio Andrade, o principal fiador do prefeito Bruno Siqueira no estado. As duas legendas poderiam replicar em alguns municípios uma aliança que já existe na instância federal e no estado, mas só o tempo dirá, já que, para os analistas, ainda é cedo para definições.
Missão política
Esse discurso vale também para o PSDB. O senador Aécio Neves não quer repetir o erro de 2014, quando escolheu os candidatos in pectore sem observar o cenário e perdeu em seu próprio estado. Está disposto a ouvir e a fazer alianças. Os tucanos locais ainda não apresentaram nenhum nome, mas o seu campo político pode contemplar o advogado Vítor Valverde, dirigente do PDT, ou o deputado Antônio Jorge, do PPS. O primeiro, secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte e homem forte na gestão de Marcio Lacerda (PSB), é o mais ativo, mas o deputado não foge à luta. Apoia Valverde, mas é claro ao dizer que não corre de missão. Só não topa fazer o que chama de mais do mesmo como dirigente municipal.






