Um vídeo de 18 segundos mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferecendo doces durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, viralizou nas redes sociais.
A cena mostra o petista sentado ao lado de integrantes de sua comitiva, segurando uma embalagem aberta e distribuindo guloseimas. A gravação foi amplamente compartilhada em plataformas como Instagram e X, acompanhada de legendas afirmando que Lula estaria entregando paçoquinhas a líderes mundiais.
A manipulação da narrativa
Embora o vídeo seja verdadeiro, o conteúdo que acompanhava as publicações era enganoso. Lula realmente distribuiu doces, mas não se tratava de paçoquinhas, e sim de balas comuns.
Além disso, as pessoas que aparecem recebendo os doces não eram presidentes ou chefes de Estado, mas integrantes da própria delegação brasileira. Ou seja, a cena foi retirada de contexto e transformada em uma falsa narrativa para gerar humor e repercussão política.
Quem desmentiu a fake news
O jornalista Sam Pancher, do portal Metrópoles, foi o responsável por publicar originalmente o vídeo em suas redes, descrevendo o momento como um clima tranquilo entre os membros da comitiva.
Logo em seguida, plataformas de checagem, como o Fato ou Fake, do G1, confirmaram que a história das paçoquinhas era uma invenção, classificando o conteúdo como fake news.
A circulação do vídeo coincidiu com o dia em que Lula fez seu discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU. Em sua fala, ele criticou ataques à democracia brasileira, rejeitou a possibilidade de anistia a golpistas e defendeu que a soberania nacional é inegociável.
Pouco depois, Donald Trump também discursou, afirmando que deve se reunir com o presidente brasileiro para discutir tarifas e sanções impostas aos produtos do país. O uso de uma legenda distorcida em cima da gravação buscou ridicularizar Lula em um momento de grande visibilidade internacional.
Por que o boato viralizou tão rápido
A combinação de humor com exagero, somada ao timing político, fez com que a desinformação se espalhasse em alta velocidade. O vídeo foi lançado no mesmo dia do discurso de Lula, aproveitando o engajamento em torno da Assembleia Geral.
Muitos internautas compartilharam sem verificar a origem, o que contribuiu para a força da narrativa falsa.
O registro é real, mas a interpretação não passa de uma manipulação. Lula não distribuiu paçoquinhas na ONU para chefes de Estado. Ele apenas ofereceu balas a integrantes da comitiva brasileira.
O caso exemplifica como conteúdos verdadeiros podem ser facilmente distorcidos para criar versões falsas que ganham grande alcance nas redes sociais.






