Uma espécie de “Segunda Terra” foi identificada por astrônomos a cerca de 146 anos-luz do nosso planeta, reacendendo o debate sobre mundos potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.
O objeto, localizado em uma região considerada favorável à presença de água líquida, foi encontrado a partir da reanálise de dados espaciais e ainda está em fase de confirmação, mas já chama a atenção da comunidade científica internacional.
‘Segunda’ Terra é descoberta a 146 anos-luz de distância
O planeta recebeu o nome de HD 137010 b e foi apontado como um corpo rochoso com dimensões muito próximas às da Terra.
A descoberta envolveu pesquisadores de instituições da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca, que trabalharam sobre informações coletadas pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa.
Embora os dados tenham sido obtidos anos atrás, apenas agora análises mais refinadas permitiram identificar o sinal compatível com a presença desse exoplaneta.
O HD 137010 b orbita uma estrela parecida com o Sol, ainda que ligeiramente mais fria e menos luminosa. Essa característica influencia diretamente o ambiente do planeta, que recebe uma quantidade menor de energia do que a Terra.
Mesmo assim, sua órbita ocorre dentro da chamada zona habitável, faixa onde as temperaturas podem permitir que a água exista em estado líquido, desde que certas condições atmosféricas estejam presentes.
Um dos fatores que aproximam esse mundo da Terra é o seu período orbital. O planeta leva cerca de 355 dias para completar uma volta ao redor de sua estrela, um intervalo bastante semelhante ao nosso ano.
Seu tamanho também reforça a comparação: ele é apenas um pouco maior que a Terra, o que sugere uma composição rochosa e não gasosa, como a de planetas gigantes.
Planeta pode ser muito mais frio do que a Terra
Apesar dessas semelhanças, os cientistas alertam que o ambiente do HD 137010 b pode ser muito mais frio. As estimativas indicam temperaturas médias extremamente baixas, comparáveis ou até inferiores às de Marte.
Ainda assim, modelos teóricos sugerem que, caso possua uma atmosfera mais espessa e rica em dióxido de carbono, o planeta poderia reter calor suficiente para sustentar oceanos líquidos.
A identificação do planeta ocorreu por meio do método de trânsito, técnica que observa pequenas variações no brilho de uma estrela quando um planeta passa à sua frente.
Curiosamente, o primeiro indício do sinal foi notado por voluntários do projeto Planet Hunters, incluindo estudantes, o que reforça a importância da ciência cidadã em grandes levantamentos astronômicos.
Embora promissora, a descoberta ainda exige cautela. Apenas um trânsito foi registrado até agora, o que significa que novas observações serão necessárias para confirmar a existência do planeta e compreender melhor suas características.
Mesmo assim, o achado é considerado relevante por estar relativamente próximo em termos cósmicos e por ampliar o catálogo de mundos semelhantes à Terra, oferecendo pistas valiosas sobre a diversidade de planetas na galáxia e sobre onde a vida pode, um dia, ser encontrada.






