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Radiação de Chernobyl deixa marcas no DNA da geração seguinte, aponta estudo

Por Leticia Florenço
26/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Chernobyl - Reprodução/Unsplash/Yves Alarie

Chernobyl - Reprodução/Unsplash/Yves Alarie

Décadas depois do Desastre de Chernobyl, a ciência volta a olhar para o passado e encontra respostas que só o avanço tecnológico tornou possíveis.

Um estudo recente publicado na Scientific Reports indica que a radiação liberada em 1986 não apenas afetou quem esteve exposto, mas também deixou vestígios biológicos detectáveis nos filhos dessas pessoas, um fenômeno que, até então, permanecia no campo das hipóteses.

A marca genética que não desaparece

Pesquisadores da Universidade de Bonn identificaram um aumento consistente de mutações específicas no DNA de descendentes de indivíduos irradiados.

Em vez de alterações isoladas, o estudo encontrou agrupamentos raros que funcionam como uma espécie de “assinatura molecular” da radiação. Esses padrões surgem quando o DNA sofre danos severos e é reconstruído com pequenas falhas, que acabam sendo perpetuadas.

O ponto mais sensível da descoberta está na transmissão dessas alterações. A radiação atingiu células germinativas, responsáveis pela reprodução, permitindo que fragmentos de DNA alterado fossem repassados às gerações seguintes.

Trata-se de um processo invisível, que não altera necessariamente a aparência ou a saúde imediata, mas que permanece registrado no código genético como um vestígio do evento original.

O perfil dos participantes analisados

Para sustentar os resultados, os cientistas mapearam o genoma de centenas de pessoas, incluindo descendentes de trabalhadores que atuaram na contenção do acidente e moradores da cidade de Pripyat.

Um grupo de controle sem histórico de exposição também foi incluído, permitindo identificar diferenças claras entre os perfis genéticos. A presença mais frequente dessas mutações nos grupos expostos reforça a ligação com a radiação.

Entre evidência científica e baixo risco clínico

Apesar do avanço, os pesquisadores evitam conclusões alarmistas. As mutações detectadas existem, mas não indicam necessariamente um aumento expressivo de doenças. O impacto prático na saúde é considerado limitado, o que coloca a descoberta em um campo mais descritivo do que clínico.

Ainda assim, ela amplia o entendimento sobre como eventos extremos podem deixar marcas duradouras no organismo humano.

O mecanismo por trás das alterações

A explosão na Usina Nuclear de Chernobyl liberou radiação ionizante em grande escala. Esse tipo de energia tem a capacidade de desestabilizar moléculas dentro do corpo, provocando quebras nas cadeias de DNA.

Ao tentar reparar esses danos, o organismo pode introduzir pequenas falhas, que permanecem registradas. Quando essas falhas ocorrem em células reprodutivas, passam a fazer parte da herança genética.

Limitações que ainda exigem cautela

Os próprios autores reconhecem que há desafios metodológicos. A reconstrução dos níveis de exposição depende de registros antigos e estimativas, e a participação voluntária pode influenciar os resultados.

Ainda assim, a consistência dos dados indica um avanço relevante na compreensão dos efeitos de longo prazo da radiação.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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