A Agência de Energia Atômica do Japão (JAEA) anunciou um avanço significativo no campo do armazenamento de energia: a criação da primeira bateria recarregável de urânio do mundo. O projeto inovador utiliza urânio empobrecido, um subproduto da indústria nuclear, como material ativo, abrindo caminho para um novo uso sustentável desse elemento.
A pesquisa, que vinha sendo desenvolvida há anos, resultou em um protótipo funcional com dimensões compactas e voltagem de 1,3V, semelhante às baterias alcalinas convencionais. O próximo desafio dos cientistas é aumentar sua capacidade e eficiência para aplicações em redes de energia renovável.
Como funciona a bateria de urânio?
O diferencial dessa bateria está na composição química dos eletrodos. Enquanto a maioria das baterias convencionais utiliza materiais como lítio e chumbo, essa nova tecnologia aposta em urânio no eletrodo negativo e ferro no eletrodo positivo. Isso permite que a bateria seja recarregada múltiplas vezes sem perda significativa de desempenho.
Vale mencionar que, nos testes realizados, a bateria passou por 10 ciclos de carga e descarga sem variação expressiva de eficiência, o que indica um ciclo de vida promissor. Além disso, a pesquisa aponta que células de fluxo redox podem ser desenvolvidas para aumentar a capacidade de armazenamento e tornar a tecnologia viável em maior escala.
Outro detalhe importante é que essa inovação pode ser aplicada em ambientes controlados, como usinas nucleares, e no gerenciamento de energia de fontes renováveis, como usinas solares e eólicas.
Solução sustentável para um problema nuclear
A utilização do urânio empobrecido representa uma solução inovadora para um problema antigo. Isso porque esse material, gerado como resíduo da produção de combustível nuclear, não pode ser usado nos reatores atuais e normalmente é armazenado sem uma destinação eficiente.
Com isso, a nova bateria transforma um subproduto pouco aproveitado em um recurso energético valioso, alinhando-se às metas globais de sustentabilidade e descarbonização.
Sendo assim, a tecnologia desenvolvida pela JAEA pode revolucionar a forma como a energia é armazenada e utilizada. Entretanto, ainda há desafios a serem superados, como a ampliação da escala de produção e a adaptação do sistema para aplicações comerciais.