Pesquisas da Embrapa Semiárido avançam na domesticação e uso produtivo da Lippia grata Schauer (Verbenaceae), o alecrim-do-mato, espécie aromática nativa da Caatinga. O estudo estabelece protocolos para o cultivo comercial, produção de mudas e extração de óleo essencial, além de avaliar aplicações agrícolas e industriais.
O alecrim-do-mato, presente em quase todo o Nordeste, destaca-se por propriedades terapêuticas e antimicrobianas, alta adaptação ao Semiárido, baixa demanda hídrica e possibilidade de plantio consorciado, evidenciando seu potencial para inovação, geração de renda e desenvolvimento sustentável.
Planta brasileira no combate de doenças
Os trabalhos com a espécie começaram em 2009, com levantamento de 25 plantas aromáticas em Pernambuco e Bahia. Entre elas, o alecrim-do-mato sobressaiu pelo elevado valor químico e forte ação antifúngica e antibacteriana, direcionando pesquisas para domesticação, aplicações agrícolas e industriais e desenvolvimento de formulações diversificadas.
Eficiência agrícola
- Ensaios laboratoriais e de campo confirmaram a eficácia do óleo essencial contra patógenos que afetam culturas estratégicas, como manga e uva.
- Potencial para uso como bioinsumo seguro e eficaz, inclusive em pós-colheita, sem contato direto com os frutos.
- Desenvolvimento de formulações e nanoformulações para aumentar a estabilidade e a eficácia do óleo no campo.
Propagação e cultivo
- A planta não se multiplica por sementes, exigindo propagação vegetativa.
- Facilidade de enraizamento das estacas sem necessidade de estimulantes químicos.
Produção e rendimento do óleo
- Rendimento elevado de óleo essencial: cerca de 3 a 5 ml por 100 g de folhas secas.
- População do Vale do São Francisco apresenta quimiotipo diferenciado, com perfil químico mais potente e maior valor industrial.
Outros usos
Além das aplicações na agricultura, o alecrim-do-mato tem chamado a atenção da indústria de cosméticos e fragrâncias. Desde 2022, a Embrapa colabora com a empresa Bio Assets no desenvolvimento de produtos comerciais baseados em ativos naturais da Caatinga e do Cerrado.
Ao mesmo tempo, o cultivo da planta vem sendo incorporado a sistemas agroecológicos, fortalecendo a bioeconomia, a inclusão socioeconômica e a sustentabilidade em propriedades familiares.






