A Organização das Nações Unidas (ONU) acendeu um novo sinal de alerta ao classificar a escassez hídrica como uma “catástrofe global em câmera lenta”.
Em um relatório divulgado nesta semana, a instituição afirma que a seca prolongada já compromete a vida de milhões de pessoas, principalmente no continente africano, e começa a deixar marcas profundas em diversas regiões do planeta, incluindo a América do Sul.
O documento retrata um cenário em que a falta de água se torna cada vez mais frequente, prolongada e devastadora — e o mundo ainda não está preparado para lidar com suas consequências.
ONU emite alerta geral sobre catástrofe global em câmera lenta
O estudo, intitulado Drought Hotspots Around the World, é fruto de uma colaboração entre o Centro Nacional de Mitigação da Seca dos Estados Unidos (NDMC) e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
A pesquisa da ONU reúne análises de dados climáticos, relatórios técnicos e fontes oficiais de dezenas de países, demonstrando que a seca já não é um fenômeno isolado ou temporário, mas um processo contínuo e agravado pelas mudanças climáticas e pela má gestão dos recursos naturais.
O documento aponta que regiões do sul da África, sudeste asiático, Mediterrâneo e América Latina enfrentam os efeitos mais severos, com colheitas comprometidas, ecossistemas colapsando, populações em insegurança alimentar e infraestrutura básica sendo afetada.
No leste da África, por exemplo, milhões estão à beira da fome devido à longa ausência de chuvas. Na Europa, o relatório da ONU aponta que países como Espanha e Turquia convivem com escassez de alimentos, elevação de preços e exaustão de aquíferos subterrâneos.
Relatório da ONU também fala sobre a seca no Brasil
O Brasil figura com destaque entre os casos mais preocupantes. A seca extrema na Amazônia, entre 2023 e 2024, provocou a morte de centenas de golfinhos, o colapso de sistemas fluviais e deixou milhares de pessoas sem acesso a água potável e transporte.
Em várias localidades, os níveis dos rios caíram a recordes históricos, comprometendo o abastecimento e isolando comunidades inteiras.
Especialistas que contribuíram com o relatório da ONU reforçam que a crise hídrica exige uma resposta coordenada, imediata e global.
Entre as recomendações, estão a criação de sistemas robustos de monitoramento, investimentos em infraestrutura hídrica resiliente e políticas públicas que priorizem o uso sustentável da água.
A seca, afirmam os autores, já não é uma possibilidade futura — é uma realidade em avanço que precisa ser combatida com esforços de guerra.






