A NASA atingiu mais um marco importante na exploração espacial. No dia 1º de abril de 2025, a agência anunciou que o telescópio infravermelho SPHEREx registrou suas primeiras imagens do cosmos, um evento conhecido como “primeira luz”.
Esse momento crucial confirma que todos os sistemas da espaçonave estão funcionando corretamente e que o telescópio está pronto para sua missão científica. Diferente de outros telescópios, como o James Webb, o SPHEREx foi projetado para mapear todo o céu, coletando dados em uma escala sem precedentes.
O que é o SPHEREx e qual sua importância?
O SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization, and Ices Explorer) foi lançado no dia 12 de março de 2025 e teve um custo superior a US$ 488 milhões. Ele foi projetado para operar no espectro infravermelho, permitindo que os cientistas estudem objetos distantes e escondidos pela poeira cósmica.
Diferente do Telescópio Espacial James Webb (JWST), que foca em analisar detalhes específicos de estrelas e galáxias, o SPHEREx tem a missão de mapear o céu inteiro repetidamente a cada seis meses. Seu objetivo é criar um banco de dados astronômico vasto e detalhado, permitindo novas descobertas sobre a origem e evolução do Universo.
Primeiras imagens e o início da missão
As imagens recém-divulgadas ainda não representam a qualidade total do telescópio, mas já são um indício promissor de seu desempenho. Cada uma delas foi capturada por um dos seis detectores do SPHEREx, que operam em 17 faixas de luz infravermelha. No total, o telescópio é capaz de observar o Universo em 102 bandas de comprimento de onda, uma capacidade impressionante para um equipamento desse tipo.
Em apenas uma das primeiras observações, foram registradas cerca de 100 mil fontes de luz astronômicas, entre estrelas e galáxias. Para facilitar a visualização dos dados, as imagens foram processadas em cores artificiais, já que a luz infravermelha não pode ser enxergada a olho nu.

Por que a astronomia infravermelha é tão importante?
A astronomia infravermelha é essencial para estudar objetos muito distantes no tempo e no espaço. Isso ocorre porque, à medida que o Universo se expande, a luz dos corpos celestes se desloca para o vermelho, um fenômeno chamado desvio para o vermelho. Isso significa que muitas das galáxias mais antigas do cosmos emitem luz que hoje só pode ser observada no infravermelho.
Sem essa tecnologia, seria impossível enxergar objetos formados pouco depois do Big Bang, há 13,7 bilhões de anos. Além disso, a luz infravermelha permite observar estrelas em formação, sistemas planetários em desenvolvimento e regiões ocultas por poeira cósmica.
Objetivos científicos do SPHEREx
O SPHEREx foi projetado para responder algumas das questões mais fundamentais da cosmologia moderna. Entre seus principais objetivos estão:
- Compreender a evolução do Universo: O telescópio ajudará a estudar o período da reionização, quando as primeiras estrelas e galáxias começaram a iluminar o cosmos. Esses dados serão fundamentais para entender como o Universo se transformou nos últimos bilhões de anos.
- Identificar ingredientes para a vida no espaço: O SPHEREx analisará a distribuição de água congelada e moléculas orgânicas em nuvens interestelares. Esses elementos são essenciais para a formação de planetas habitáveis e podem ajudar na busca por vida fora da Terra.
- Investigar a matéria escura e a energia escura: Através da análise da luz infravermelha, os cientistas poderão mapear a distribuição da matéria escura, uma substância invisível que compõe grande parte do Universo. O telescópio também ajudará a estudar os efeitos da energia escura, responsável pela aceleração da expansão do cosmos.
O futuro da missão e seus próximos passos
Embora as primeiras imagens já sejam um grande avanço, o SPHEREx ainda está passando por ajustes finais. O telescópio precisa operar a temperaturas extremamente baixas para evitar interferências em suas medições. Esse resfriamento controlado é essencial para garantir a precisão dos sensores infravermelhos.
Quando estiver em operação completa, o SPHEREx fará cerca de 600 observações diárias, cobrindo todo o céu a cada seis meses. Seu campo de visão é 20 vezes maior do que o tamanho aparente da Lua cheia, permitindo a coleta de um volume imenso de informações em um curto período de tempo.
A cada nova observação, o SPHEREx trará dados valiosos que poderão mudar nosso entendimento sobre a origem do cosmos e nosso lugar nele. Com essa missão, a NASA reafirma seu compromisso de explorar o desconhecido e nos aproximar cada vez mais das respostas para as grandes questões da ciência.