Uma pesquisa realizada em seis países, incluindo o Brasil, revelou que as mulheres na menopausa enfrentam falta de acolhimento no ambiente de trabalho. O estudo, conduzido pela farmacêutica Astellas, apontou que 80% dos entrevistados consideram insuficiente o apoio oferecido às profissionais nessa fase da vida.
Além disso, apenas 29% das mulheres se sentem confortáveis para discutir os desafios da menopausa com seus superiores. Apesar de ser um processo natural, a menopausa ainda é cercada de tabus e negligência, especialmente no contexto profissional, o que pode dificultar a adaptação e o bem-estar das trabalhadoras.
Menopausa e mercado de trabalho
A falta de suporte na menopausa impacta diretamente a carreira das mulheres. Quase metade das entrevistadas relatou prejuízos profissionais, como queda na produtividade (26%) e receio de falar sobre o tema no trabalho (17%). Além disso, 49% acreditam que a menopausa dificulta o crescimento e o reconhecimento na empresa, enquanto 9% mencionaram discriminação direta.
Esse período envolve mudanças hormonais que podem causar sintomas físicos e emocionais, como ondas de calor, insônia, ansiedade e depressão. No Brasil, 79% das mulheres relataram impactos psicológicos negativos, sendo a ansiedade (58%) e a depressão (26%) os mais comuns.
O preconceito no ambiente corporativo reflete desigualdades de gênero e etarismo. Enquanto homens mais velhos são valorizados pela experiência, mulheres na menopausa enfrentam barreiras profissionais. Para a ginecologista Thaís Ushikusa, é essencial combater os estigmas e promover ambientes de trabalho mais acolhedores.
Como lidar?
A ginecologista Maria Celeste Osório Wender, presidente da Febrasgo, defende que pequenas adaptações no ambiente de trabalho poderiam beneficiar as mulheres na menopausa. Ela cita como exemplo a recomendação da Sociedade Europeia de Menopausa para a instalação de ar-condicionado, uma vez que os fogachos afetam a maioria das mulheres nesse período.
Especialistas também apontam a necessidade de políticas corporativas voltadas ao bem-estar feminino, sugerindo ajustes no espaço de trabalho e maior flexibilidade de horários. Segundo eles, o principal desafio é transformar essa conscientização em ações concretas que garantam mais qualidade de vida e equidade profissional.