Localizado em Alang, na Índia, o maior cemitério de navios do planeta é um cenário que mistura a miséria humana com graves impactos ambientais. Anualmente, cerca de 700 grandes embarcações – entre cargueiros, petroleiros e transatlânticos de luxo – chegam ao local para serem desmanteladas, recicladas e transformadas em ferro-velho. Porém, o processo que ocorre nessas praias é chocante e indignante, revelando um dos maiores exemplos de exploração no mundo contemporâneo.
Alang é conhecida por seu gigantesco desmanche naval, que recebe navios de todo o mundo, mas o método utilizado para desmontá-los é incrivelmente primitivo e perigoso. Milhares de trabalhadores, muitos deles quase em condição de escravidão, são responsáveis por demolir os navios com as próprias mãos.
O trabalho é árduo e feito manualmente, sem o uso de maquinário moderno, o que torna o processo não apenas demorado, mas também extremamente arriscado. Um simples pedaço de aço, por exemplo, pode pesar até meia tonelada e precisa ser transportado, em alguns casos, carregado por dezenas de homens, que atravessam lamaçal durante as marés baixas.
A maioria dos trabalhadores de Alang recebe menos de R$ 15,00 por dia, em jornadas que podem ultrapassar as 14 horas, e as condições de segurança são quase inexistentes. Equipamentos de proteção, como luvas e capacetes, são raros, e o risco de acidentes é constante.
O desmanche é feito com o auxílio de maçaricos, e os trabalhadores ficam expostos a faíscas e vapores tóxicos, sem o básico de proteção, como óculos de segurança. Casos de acidentes são comuns, e, em muitos momentos, o hospital mais próximo está a mais de 50 quilômetros de distância.
Impactos ambientais graves do cemitério de navios
Além das condições desumanas de trabalho, o desmanche de navios em Alang também gera danos ambientais imensos. Os navios, muitas vezes, não são devidamente descontaminados antes de serem enviados para o local. Resíduos tóxicos, como o amianto, que é amplamente utilizado nas embarcações mais antigas, representam um perigo à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente local. O vazamento de substâncias poluentes também é frequente, contribuindo para a degradação do ecossistema costeiro da região.
A hipocrisia da globalização
Este cenário trágico em Alang reflete o que muitos consideram o lado sombrio da globalização. Enquanto países desenvolvidos se livram de seus navios velhos, jogando-os em locais como Alang, as consequências da exploração e do impacto ambiental ficam para as nações mais pobres. Este modelo de desmanche, que pode ser até cem vezes mais barato do que nos países ocidentais, representa uma realidade cruel e incansável que continua a ser ignorada por muitas partes do mundo.
Alang, como o maior cemitério de navios do mundo, é um retrato sombrio da exploração no mercado global e dos abusos que ainda persistem nas indústrias que envolvem trabalhadores de baixo custo em condições desumanas.