Após semanas de tensão envolvendo a operadora de saúde Geap e dois dos principais hospitais privados de Boa Vista, a Justiça de Roraima interveio e proibiu que essas unidades interrompam o atendimento aos beneficiários do plano.
A medida foi determinada pela desembargadora Tânia Vasconcelos, em decisão liminar emitida durante o plantão do Tribunal de Justiça na noite do último domingo (10).
A disputa vinha se desenrolando desde o início de agosto e colocava em risco a assistência médica de milhares de pessoas no estado.
Justiça proíbe hospitais privados de suspender atendimento da Geap
A Geap é uma operadora de plano de saúde com forte presença no serviço público, atendendo, em Roraima, mais de 17 mil usuários, a maioria formada por servidores ativos e aposentados.
Entre os beneficiários estão profissionais do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas e Universidade Federal de Roraima.
Para prestar atendimento, a operadora mantém contratos com hospitais e clínicas particulares, entre eles o Hospital Ville Roy e o Hospital Lotty Iris, que agora são alvo da decisão judicial.
A crise começou quando, no dia 7 de agosto, os dois hospitais comunicaram oficialmente à Geap que suspenderiam o atendimento no dia seguinte. Embora o serviço não tenha sido de fato interrompido, o aviso gerou apreensão entre beneficiários e levou a operadora a buscar proteção na Justiça.
O presidente da Geap, Douglas Figueredo, afirmou que a decisão judicial foi necessária para garantir que não houvesse interrupção, e reforçou que a prioridade da empresa é assegurar a continuidade do atendimento sem risco aos usuários.
Hospitais acusam Geap de atrasar pagamentos e operadora nega
Do lado dos hospitais, as críticas se concentram no que consideram problemas recorrentes na relação contratual.
Bruno Marques, representante da Associação dos Hospitais Privados de Roraima, acusou a Geap de atrasar pagamentos, ser pouco transparente e praticar glosas excessivas, que é quando a operadora contesta ou recusa o pagamento de procedimentos cobrados pelos prestadores, alegando divergências contratuais.
Segundo Marques, essas práticas prejudicam financeiramente as unidades e dificultam a manutenção dos serviços.
A Geap, por sua vez, nega as irregularidades. A operadora afirma que segue os prazos de pagamento estabelecidos, que variam entre 30 e 90 dias, e que as glosas só ocorrem quando valores cobrados estão acima dos estipulados em contrato.
Figueredo destacou que, apenas nos últimos três meses, foram pagos R$ 8,5 milhões ao Hospital Ville Roy e R$ 5,4 milhões ao Hospital Lotty Iris, e disse que houve diversas reuniões para discutir as demandas dos prestadores.
Com a decisão da Justiça, os dois hospitais ficam proibidos de suspender total ou parcialmente os serviços por 90 dias, sob pena de multa. A medida ainda é passível de recurso.






