O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou no último domingo, 7 de setembro, de um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, que reuniu milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em defesa de uma anistia ampla para os envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Naquela ocasião, extremistas invadiram e vandalizaram as sedes do Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto, em Brasília, resultando na prisão de milhares de vândalos que foram processados. Alguns seguem presos, outros fizeram acordos e respondem em liberdade.
Além disso, foram abertos processos por tentativa de golpe contra Bolsonaro e militares que faziam parte de seu governo, e que foram apontados por investigações da Polícia Federal como organizadores e líderes dos atos golpistas, além de principais beneficiados caso a tentativa obtivesse sucesso.
O evento deste final de semana, que também teve manifestações em outras capitais, foi marcado por um discurso inflamado de Flávio Bolsonaro, que chocou pela agressividade contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator dos processos que investigam a tentativa de golpe.
Flavio Bolsonaro surpreende a todos e usa tom assustador contra Moraes
Durante sua fala, Flávio Bolsonaro acusou Moraes de agir como um “psicopata” e o chamou de “ditador“, afirmando que ele estaria conduzindo uma perseguição pessoal contra Jair Bolsonaro.
O senador foi além, ao afirmar que o próprio STF acabará “entregando a cabeça de Moraes numa bandeja”, em referência direta a uma suposta punição futura ao ministro. A declaração gerou espanto entre aliados e opositores, pelo tom violento e ameaçador.
Vestindo uma camiseta com o rosto do pai e o número 2026, em alusão à próxima eleição presidencial, Flávio também disse que o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo não passa de um “teatro” e comparou a situação ao atentado a faca sofrido pelo ex-presidente em 2018.
“O que Moraes está fazendo agora é uma segunda facada”, afirmou.
Jair Bolsonaro está atualmente em prisão domiciliar, devido a possibilidade de fuga, segundo a Polícia Federal, e impedido judicialmente de se manifestar publicamente, e por isso não participou dos aos deste final de semana.
Ato pela anistia com Flávio Bolsonaro reuniu cerca de 42 mil pessoas em Copacabana
A manifestação no Rio, que chegou a reunir cerca de 42,7 mil pessoas segundo levantamento do Cebrap e da ONG More in Common, teve a presença de políticos do PL e de lideranças evangélicas.
Atos semelhantes ocorreram em cidades como Belém, Goiânia e Florianópolis, mas com público significativamente menor.
Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 após ser condenado por abuso de poder político e econômico durante o pleito de 2022, quando reuniu embaixadores estrangeiros para apresentar falsas alegações de fraude nas urnas eletrônicas.
O julgamento atual no STF, iniciado na semana passada, apura o papel dele como líder de uma tentativa de golpe contra a ordem democrática. A decisão final deve ser conhecida nos próximos dias.






