Pesquisadores parecem ter desvendado um enigma matemático que desafiava a ciência há mais de um século: o sexto problema de Hilbert. Apresentado em 1900 pelo matemático David Hilbert, o desafio envolvia a criação de um axioma capaz de integrar as leis que governam os fluidos em diferentes escalas, desde o movimento de partículas microscópicas até o comportamento de grandes massas de fluido, como os oceanos.
Essa descoberta tem o potencial de transformar áreas como meteorologia, oceanografia e engenharia, permitindo uma compreensão mais detalhada dos fenômenos complexos dos fluidos. Embora as repercussões completas dessa descoberta ainda estejam sendo analisadas, a aplicação das novas equações pode mudar profundamente o design de sistemas hidráulicos e a construção de infraestruturas, como barragens e pontes.
Enigma centenário
O objetivo do sexto enigma era unificar três escalas diferentes: o nível microscópico, em que as partículas seguem as leis de Newton; o nível mesoscópico, regido pela estatística de Boltzmann; e o nível macroscópico, que envolve equações complexas como as de Navier-Stokes, para descrever o movimento dos fluidos.
Agora, um grupo de três matemáticos das universidades de Michigan e Chicago acredita ter solucionado o enigma. Em um estudo publicado em março de 2023, eles afirmam ter derivado as equações fundamentais da mecânica dos fluidos, como as equações de Euler e Navier-Stokes, a partir das leis de Newton aplicadas a sistemas de partículas microscópicas em colisões.
Uma parte essencial dessa pesquisa foi a utilização de diagramas desenvolvidos pelo físico Richard Feynman, que ajudaram os matemáticos a simplificar os cálculos e estabelecer uma conexão direta entre as leis de Newton e as complexas equações que governam os fluidos.
Recepção e cautela
O estudo foi amplamente celebrado, especialmente entre matemáticos chineses, que o consideraram uma grande conquista em um “ano de milagres”. Especialistas internacionais, como Benjamin Texier, da Universidade de Lyon, também destacaram a importância da descoberta.
No entanto, os próprios pesquisadores se mostram cautelosos, pois afirmam que seu trabalho não resolve totalmente o sexto enigma de Hilbert, mas oferece novas possibilidades para avanços na área. O próximo desafio será investigar em que condições as novas equações podem apresentar falhas e como ajustá-las para descrever fenômenos mais extremos.