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Detrans que não estão aplicando CNH sem autoescola vão sofrer consequências graves

Por Leticia Florenço
20/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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CNH

Carteira Nacional de Habilitação - Reprodução/iStock

A simplificação do processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deixou de ser apenas uma proposta e passou a se tornar um ponto de tensão entre o governo federal e os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

A nova política pública, batizada de Programa CNH do Brasil, estabelece mudanças profundas no modelo tradicional de habilitação e vem sendo tratada como prioridade pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No entanto, a resistência de alguns estados em aplicar integralmente as novas regras acendeu o alerta da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que iniciou uma ofensiva administrativa contra os órgãos que ainda não se adequaram.

A ofensiva federal contra os Detrans

Na sexta-feira, 16, a Senatran notificou oficialmente os Detrans de Santa Catarina e do Ceará, exigindo a implementação imediata do novo modelo de CNH. A cobrança não se limita a ajustes superficiais: os órgãos estaduais precisam comprovar, na prática, que estão aptos a operar o sistema simplificado.

Além do cumprimento das regras, os Detrans foram obrigados a apresentar um plano detalhado de funcionamento, demonstrando como pretendem executar todas as etapas do processo sem a obrigatoriedade das autoescolas.

O que os Detrans precisam comprovar ao governo federal

A fiscalização federal exige que os órgãos estaduais apresentem informações técnicas e operacionais completas, incluindo:

  • Funcionamento do Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach)
  • Coleta e validação de dados biométricos dos candidatos
  • Sistemas de agendamento de exames e provas
  • Aplicação das provas teórica e prática dentro do novo formato
  • Integração tecnológica com instrutores autônomos, empresas de biometria e plataformas digitais
  • Estrutura de atendimento presencial e digital, com horários, canais online e materiais informativos

Essas exigências servem como base para a próxima etapa: inspeções presenciais que poderão resultar em medidas administrativas contra os Detrans que não estejam em conformidade.

Fiscalização rigorosa e risco de punições

Segundo o Ministério dos Transportes, o objetivo da fiscalização é garantir que a resolução federal, publicada em dezembro, seja aplicada de forma uniforme em todo o país.

Caso sejam identificadas irregularidades ou omissões, os Detrans poderão sofrer sanções administrativas, que vão desde advertências formais até restrições operacionais.

Na prática, isso significa que os estados não têm margem para escolher se aplicam ou não as novas regras. A norma é federal e de cumprimento obrigatório.

Reação dos estados e justificativas técnicas

Após a cobrança do governo, diversos Detrans alegaram dificuldades para adaptar seus sistemas internos. O principal argumento é a necessidade de adequações tecnológicas complexas, já que o novo modelo exige integração direta com a plataforma digital da Senatran.

Em nota, o Detran de Santa Catarina afirmou que já implementou parte das medidas e que outras estão em andamento. O órgão informou ainda que já existem habilitações emitidas dentro do novo modelo, mas não confirmou se o teto de R$ 180 para exames médicos e psicológicos já está sendo plenamente aplicado.

Ceará acelera implementação após notificação

O Detran do Ceará adotou um tom diferente. Em comunicado oficial, o órgão afirmou que, a partir da última sexta-feira, passou a aplicar o valor máximo de R$ 180 para os exames médicos e psicológicos, conforme determina a nova regra.

Além disso, informou que já está realizando procedimentos como renovação automática, reforçando que está alinhado às diretrizes federais.

O que muda com a CNH sem autoescola

A principal ruptura promovida pelo novo modelo é o fim da obrigatoriedade das autoescolas no processo de habilitação. Entre as mudanças mais relevantes estão:

  • Curso teórico gratuito, 100% on-line, disponível pela plataforma Gov.br
  • Redução da carga mínima de aulas práticas de 20 horas para apenas 2 horas
  • Possibilidade de aprendizado com instrutores autônomos, desde que cadastrados no Detran
  • Eliminação da exigência de curso teórico presencial
  • Exames médicos e psicológicos com preço máximo definido

Apesar da flexibilização, o candidato continua obrigado a ser aprovado nas provas teórica e prática, além de realizar os exames de saúde.

Impacto direto no bolso do cidadão

O objetivo central do governo é baratear o custo da CNH, historicamente elevado no Brasil. Segundo levantamento da EXAME, o processo tradicional pode custar a partir de R$ 530, valor que sobe para R$ 630 com a inclusão do exame toxicológico aprovado pelo Congresso para categorias A e B.

Com o novo modelo, a expectativa é ampliar o acesso à habilitação, especialmente para pessoas de baixa renda, reduzindo desigualdades e facilitando a mobilidade urbana e profissional.

Como funciona o processo simplificado da nova CNH

O Programa CNH do Brasil estabelece um fluxo mais enxuto e acessível, que inclui:

  • Curso teórico gratuito e online
  • Carga prática mínima reduzida, com instrutor autônomo
  • Teto de preço para exames médicos e psicológicos
  • Fim da obrigatoriedade de autoescolas
  • Direito a segunda tentativa gratuita em caso de reprovação
  • Ausência de prazo máximo para concluir o processo

Os exames e provas continuam sendo organizados pelos Detrans, que agora precisam operar de forma integrada com a plataforma digital da Senatran.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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