Em janeiro desse ano, a liquidação da fintech Will Bank, controlada pelo Banco Master, expôs fragilidades do sistema de pagamentos brasileiro e reacendeu debates sobre a divisão de responsabilidades entre emissores de cartões, bandeiras e credenciadoras.
O episódio afetou o fluxo financeiro do setor, com o IFData, do Banco Central, registrando R$ 5,13 bilhões em transações pós-pagas pendentes. Esse cenário evidencia os desafios do arranjo de pagamentos, o conjunto de empresas que viabiliza transações de cartões para lojistas e consumidores.
Guerra entre gigantes
A Mastercard, parceira do Will Bank, comunicou que não assumirá integralmente os prejuízos, limitando-se às garantias que podem ser efetivamente executadas junto à fintech. A decisão reflete o papel da bandeira no arranjo de pagamentos, mas também evidencia os limites de sua atuação frente à liquidação da instituição emissora.
Por outro lado, credenciadoras como Cielo e Rede, responsáveis por antecipar os pagamentos aos lojistas, destacam que a legislação brasileira e normas do Banco Central indicam que a responsabilidade principal recai sobre as bandeiras.
Por manterem contratos diretos com os emissores, essas empresas têm maior controle sobre a gestão de riscos e devem assegurar a estabilidade operacional do ecossistema de pagamentos.
Colapso do Will Bank
O modelo de arranjos de pagamento impede que credenciadoras escolham não operar com determinados emissores, tornando-as dependentes das decisões das bandeiras e da saúde financeira dos emissores.
A Lei nº 12.865/2013 e regulamentos do Banco Central reforçam que, em casos de liquidação ou insolvência do emissor, o risco deve ser assumido pelas bandeiras, garantindo previsibilidade e estabilidade para os lojistas e para o ecossistema de pagamentos.
O episódio envolvendo o Will Bank evidencia a influência do intervalo entre a liquidação do emissor e o repasse de recursos ao mercado. Em condições normais, as bandeiras levam até 30 dias para efetuar o pagamento às credenciadoras, que, por sua vez, repassam os valores aos lojistas.
Quando ocorre insolvência, essa cadeia de repasses pode sofrer interrupções significativas, destacando a importância de mecanismos de mitigação de risco incorporados ao arranjo de pagamentos.






