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Por que é muito comum pombas abandonarem os ninhos antes dos filhotes nascerem?

Por Karoline Calumbi
23/12/2024
Em Mais Tendências
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As pombas, frequentemente vistas nos centros urbanos, possuem comportamentos intrigantes que nem sempre são percebidos pelos habitantes das cidades. Entre eles está o abandono de ninhos antes do nascimento dos filhotes, uma atitude que pode parecer contraditória para aves conhecidas por sua alta capacidade de adaptação.

De acordo com especialistas, há diversas razões pelas quais pombas abandonam seus ninhos. Uma das principais é a interferência humana. “Se alguém mexer no ninho ou adicionar palha ou outros materiais, há uma grande chance de que a pomba abandone o local definitivamente”, explica o biólogo Oriel Nogali, do Setor de Aves da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Isso ocorre porque as pombas são sensíveis a mudanças no ambiente e associam a manipulação do ninho a uma possível ameaça.

Além disso, fatores externos, como a presença de predadores, também influenciam o abandono. “Se a pomba percebe que o ninho está em uma área exposta ou vulnerável, ela tende a deixá-lo para preservar sua segurança”, acrescenta Nogali. O instinto de sobrevivência é, portanto, um dos motores desse comportamento.

Filhotes “invisíveis” de pombas

Outro aspecto curioso sobre as pombas é a dificuldade de encontrar filhotes nas cidades. Isso se deve ao fato de que os filhotes permanecem no ninho até desenvolverem uma plumagem semelhante à dos adultos. “Os pais alimentam os filhotes até que eles estejam prontos para voar e buscar alimento por conta própria. Quando deixam o ninho, já possuem o mesmo tamanho dos adultos”, explica Nogali.

Esse ciclo rápido de crescimento, aliado ao hábito de construir ninhos em locais escondidos, como telhados e galpões, torna os filhotes praticamente invisíveis aos olhos humanos.

Impacto na saúde pública

Apesar de fascinantes, as pombas também são associadas a problemas de saúde pública. Conhecidas como “ratos com asas”, podem transmitir doenças através de suas fezes ou do contato direto. Para evitar a superpopulação, especialistas recomendam não alimentar essas aves e bloquear acessos que possam ser usados como locais de nidificação.

O comportamento de abandono dos ninhos, embora intrigante, é um reflexo do instinto de autoproteção e da interação complexa dessas aves com o ambiente urbano. Entender essas nuances ajuda não apenas a desmistificar o ciclo de vida das pombas, mas também a promover uma convivência mais equilibrada com elas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Karoline Calumbi

Karoline Calumbi

Jornalista pela UFRRJ, universidade da baixada do Rio de Janeiro. Apaixonada pela profissão e dedicada em diariamente informar e entreter os leitores.

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