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300 de 697 variações genéticas relacionadas à depressão nunca foram vistas

Por Yasmin Henrique
10/03/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Cirurgia contra depressão é realidade; veja 1ª jovem que fez operação

Representação de uma pessoa com depressão (Foto: reprodução/Darkhan Basshybayev/Unsplash)

Pesquisadores de várias nações realizaram o maior estudo sobre a genética da depressão até hoje, identificando fatores de risco para a doença em diferentes grupos étnicos. Este estudo é notável por sua diversidade, incluindo 25% de participantes com ascendência não europeia, superando as limitações das pesquisas anteriores, que eram predominantemente focadas em populações de origem europeia.

O estudo, divulgado na revista Cell, examinou dados de mais de 5 milhões de pessoas de 29 países, incluindo informações da Coorte Brasileira de Alto Risco para Transtornos Mentais (BHRC), com colaboração do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) da Universidade de São Paulo (USP).

Genes da depressão

Os cientistas identificaram 697 variações genéticas ligadas à depressão durante as análises, com quase 300 dessas variações sendo inéditas. Esses resultados abrem novas possibilidades para entender o papel da genética no desenvolvimento da doença e podem ajudar a apontar áreas do cérebro que poderiam ser alvo de tratamentos específicos.

Segundo a professora Sintia Belangero (Unifesp), essas descobertas sugerem que medicamentos já utilizados no tratamento de dor crônica e distúrbios do sono poderiam ser ajustados para o tratamento da depressão. Contudo, os pesquisadores ressaltam que são necessários mais estudos e testes clínicos para confirmar a eficácia dessas abordagens.

Implicações do estudo

A pesquisa destaca a necessidade de uma abordagem mais inclusiva nas investigações genéticas, garantindo que populações historicamente marginalizadas também se beneficiem de progressos terapêuticos. A professora Vanessa Ota (Unifesp) ressalta que os resultados representam um avanço significativo para preencher as lacunas no entendimento sobre a depressão, além de possibilitar tratamentos mais precisos e eficazes.

A pesquisa também indica que as variações genéticas podem ser utilizadas para prever o risco de depressão em pessoas, possibilitando intervenções precoces para evitar o desenvolvimento do transtorno. Ao combinar fatores genéticos com influências ambientais e sociais, os cientistas vislumbram o desenvolvimento de tratamentos mais específicos, personalizados de acordo com a genética de cada paciente.

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Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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