Embora o salário mínimo nacional tenha sido de R$ 1.621 em 2026, esse valor não contempla as diferenças de custo de vida entre as regiões brasileiras.
Para estimar quanto um trabalhador precisa receber para manter um padrão de vida considerado digno, foi criado o projeto Salário Digno Brasil.
Desenvolvida pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em parceria com o Anker Research Institute, a iniciativa calcula o custo de uma vida digna em diferentes partes do país.
O estudo divide o país em 79 macrorregiões com características socioeconômicas semelhantes, abrangendo capitais, regiões metropolitanas e áreas do interior, para identificar as desigualdades regionais relacionadas à renda e ao custo de vida.
Quanto os brasileiros precisam ganhar?
Para realizar as estimativas, os pesquisadores adotaram a Metodologia Anker, utilizada internacionalmente para medir renda e salário dignos, adaptando-a às características brasileiras com informações do IBGE, incluindo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), a PNAD Contínua e o Censo Demográfico.
O método considera despesas essenciais, incluindo alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, comunicação, cultura e uma reserva para imprevistos.
A partir desses custos, é calculada a renda necessária para uma família de quatro pessoas e o salário que um trabalhador em tempo integral precisaria receber para garantir esse padrão de vida.
As diferenças regionais aparecem de forma expressiva nos resultados.
- Porto Alegre: R$ 4.763, maior valor entre as regiões analisadas.
- São Paulo: R$ 4.022.
- Sul de Roraima: R$ 1.904, o menor valor identificado pelo estudo.
Planos
Segundo os pesquisadores, o salário digno não tem o objetivo de substituir o salário mínimo, mas de servir como uma referência complementar para avaliar as condições de vida da população.
O indicador também ajuda a analisar desigualdades regionais, diferenças no custo de vida e características do mercado de trabalho em cada território.
Ainda neste ano, o projeto deverá lançar a Plataforma Salário Digno Brasil, que reunirá dados das 79 macrorregiões estudadas e permitirá comparar as estimativas com indicadores como a linha de pobreza da Banco Mundial e os salários médios do mercado formal.






