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Geleira revela corpo perdido desde os anos 1950 e caso impressiona autoridades

Por Leticia Florenço
29/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Antártida

Antártida - Reprodução/Unsplash

O avanço do degelo em áreas da Antártida trouxe à tona um dos casos mais marcantes da história da exploração polar.

Restos humanos e objetos preservados por mais de seis décadas foram encontrados na região da Ilha Rei George, na Antártida, encerrando o mistério sobre o desaparecimento de um jovem pesquisador britânico ocorrido no fim dos anos 1950.

A descoberta foi confirmada por equipes científicas ligadas à British Antarctic Survey, que analisaram os materiais recuperados após o surgimento inesperado dos vestígios entre áreas de gelo em retração.

Quem era o pesquisador desaparecido

Dennis Bell tinha apenas 25 anos quando integrou uma expedição meteorológica britânica no continente antártico. Sua missão fazia parte de um conjunto de estudos climáticos realizados em condições consideradas entre as mais hostis do planeta.

O trabalho incluía coleta de dados atmosféricos, medições de temperatura e observações de campo em regiões praticamente inexploradas na época.

O acidente na fenda de gelo

Durante uma atividade externa, Bell acabou caindo em uma fenda profunda escondida sob uma camada de neve instável. O impacto inicial não foi fatal, e ele ainda apresentava sinais de vida no momento do resgate.

A equipe tentou realizar uma operação de salvamento improvisada, utilizando cordas e equipamentos de içamento. No entanto, a estrutura utilizada se rompeu durante o processo, agravando a situação.

Com o agravamento do clima, temperaturas extremamente baixas e risco de novos colapsos no gelo, os demais membros da expedição foram obrigados a interromper a tentativa de resgate. O desaparecimento de Bell passou então a ser tratado como perda em campo, sem localização do corpo.

O reaparecimento após mais de 60 anos

Décadas depois, cientistas poloneses que atuavam na mesma região da Ilha Rei George identificaram sinais incomuns emergindo do gelo em retração. Entre rochas expostas recentemente, foram encontrados fragmentos ósseos e objetos pessoais preservados em estado surpreendente.

Entre os itens recuperados estavam:

  • Um relógio de pulso
  • Uma lanterna antiga
  • Um rádio portátil de expedição

A conservação desses materiais foi atribuída ao frio constante e à ausência de oxigenação, fatores típicos de ambientes glaciares profundos.

Identificação oficial do corpo

Os restos foram enviados para análise detalhada, incluindo testes de DNA comparados com amostras de familiares vivos de Dennis Bell. Os resultados confirmaram a identidade do pesquisador com alto grau de precisão.

A confirmação oficial foi posteriormente divulgada pela British Antarctic Survey, encerrando um caso que permaneceu sem solução por mais de seis décadas.

O papel do degelo na revelação do passado

Especialistas apontam que o recuo acelerado das geleiras na Antártida tem exposto materiais que permaneceram preservados por longos períodos. Isso inclui desde equipamentos de expedições antigas até restos humanos.

O caso de Dennis Bell se tornou um exemplo emblemático de como transformações climáticas podem revelar partes esquecidas da história da exploração científica.

Outros casos semelhantes no mundo polar

Histórias parecidas já foram registradas tanto na Antártida quanto no Ártico. Em diversas ocasiões, corpos de exploradores desaparecidos há décadas foram encontrados preservados pelo gelo, muitas vezes com objetos pessoais ainda intactos.

Um dos casos mais conhecidos envolve a expedição liderada por John Franklin, cujos integrantes desapareceram durante uma missão no Ártico canadense. Restos e artefatos foram descobertos ao longo dos anos seguintes, ajudando pesquisadores a reconstruir os últimos momentos da jornada.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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