As metas internacionais de redução de emissões no transporte marítimo têm colocado os corredores verdes no centro do debate sobre descarbonização global.
A Organização Marítima Internacional estabeleceu objetivos de corte na intensidade de carbono do setor até 2030, além da ampliação do uso de combustíveis de baixa ou zero emissão, o que deve induzir mudanças relevantes na operação e na estrutura da navegação mundial.
Dentro desse cenário, Brasil, Noruega e Holanda apresentaram um estudo de viabilidade técnica e econômica voltado à criação de corredores marítimos verdes no Atlântico Sul.
A proposta segue uma tendência internacional de criação de rotas comerciais específicas para embarcações com tecnologias e combustíveis menos poluentes, visando reduzir emissões em trajetos estratégicos entre América do Sul e Europa.
Projeto ambiental do transporte marítimo
O levantamento foi desenvolvido pela consultoria norueguesa DNV. Integra um processo de cooperação iniciado em 2025 entre Brasil e Noruega e em 2026 com a adesão da Holanda.
Fluxos e rotas analisadas
- Rotas Brasil–Noruega somaram 88 viagens de grandes cargueiros.
- Essas operações geraram cerca de 116 mil toneladas de CO2e.
- Principais cargas: soja, minério e celulose.
Rotas prioritárias definidas
- Vila do Conde (PA)–Karmøy (Noruega)
- Santos–Rotterdam (Holanda)
- Pecém–Rotterdam (Holanda)
- Todas associadas a fluxos de commodities e energia.
Combustíveis avaliados
- Biodiesel (opção mais imediata, compatível com motores atuais)
- Amônia verde (exige novas embarcações e infraestrutura)
- Metanol verde (também demanda adaptação tecnológica)
Papel estratégico dos países
- Brasil: matriz energética renovável e forte infraestrutura portuária.
- Noruega: tecnologia marítima e coordenação de projetos de descarbonização.
- Holanda: logística portuária e conexão com o hub de Rotterdam, principal porta de entrada europeia.
Financiamento
Embora haja avanços tecnológicos, o estudo indica que o maior obstáculo não está apenas no acesso a combustíveis alternativos, mas na organização econômica do setor marítimo.
A falta de contratos de longo prazo, associada à necessidade de articulação entre armadores, portos, exportadores e governos, é apontada como um fator que limita a implementação dos corredores.
Como medida de continuidade, os três países avaliam a criação de um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento, com aporte estimado em cerca de R$ 450 milhões, destinado ao desenvolvimento de tecnologias e combustíveis voltados ao transporte marítimo de baixa emissão.






