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Essa tempestade de 2 anos atrás foi tão violenta que as ondas eram visíveis por satélites no espaço

Por Leticia Florenço
27/05/2026
Em Mais Tendências
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Ondas - Reprodução/Unsplash/Barth Bailey

Ondas - Reprodução/Unsplash/Barth Bailey

Em dezembro de 2024, o oceano Pacífico foi atingido por uma megatempestade de intensidade rara, que entrou para a lista dos eventos meteorológicos mais extremos já registrados pela ciência moderna.

A força desse sistema foi tão grande que suas ondas puderam ser detectadas diretamente por satélites em órbita da Terra, revelando um comportamento oceânico de escala global.

O episódio chamou atenção não apenas pela violência da natureza, mas também pelo nível de detalhamento com que foi observado a partir do espaço, abrindo novas possibilidades para o estudo dos oceanos.

A tempestade que redesenhou o oceano

A chamada “tempestade Eddie”, registrada no final de 2024, foi considerada uma das mais intensas da última década. Formada no Pacífico Norte, ela gerou um conjunto de ondas extremamente energéticas, capazes de se propagar por milhares de quilômetros.

Os registros indicam que as ondas atingiram médias de aproximadamente 19,7 metros, com picos que possivelmente ultrapassaram 35 metros de altura. Esse nível de energia transformou a superfície do oceano em um sistema dinâmico visível até mesmo por sensores orbitais.

A observação do fenômeno a partir do espaço

O avanço da tecnologia de satélites permitiu que cientistas acompanhassem o comportamento do oceano com uma precisão inédita. O satélite SWOT, desenvolvido para mapear a topografia da superfície da água, foi essencial na análise desse evento extremo.

Do espaço, foi possível observar a formação das ondas, sua organização em longas faixas energéticas e sua propagação contínua pelo oceano. Essa visão ampliada revelou que não se tratava de um fenômeno isolado, mas de um sistema de energia em movimento atravessando grandes distâncias.

A travessia das ondas pelos oceanos

Um dos aspectos mais impressionantes do evento foi a capacidade das ondas de percorrerem enormes distâncias sem perder completamente sua energia. Cientistas conseguiram rastrear sua trajetória por cerca de 24 mil quilômetros, partindo do Pacífico Norte e chegando até o Atlântico tropical.

Esse deslocamento ocorreu ao longo de semanas, mostrando que a energia gerada por uma única tempestade pode influenciar diferentes bacias oceânicas ao redor do planeta.

A revisão dos modelos científicos

Os novos dados coletados pelos satélites trouxeram uma mudança importante na compreensão científica sobre a distribuição de energia nas ondas oceânicas. Antes, acreditava-se que uma parte significativa dessa energia se espalhava entre diferentes comprimentos de onda.

As medições recentes mostraram, no entanto, que a maior concentração de energia está nas ondas principais geradas pela tempestade. Isso indica que os modelos anteriores superestimavam a participação das ondas mais longas no transporte energético.

Essa descoberta não reduz o potencial destrutivo das ondas, mas melhora a precisão das previsões e dos sistemas de alerta.

Possíveis relações com mudanças climáticas

Pesquisadores agora investigam se eventos dessa magnitude podem estar se tornando mais frequentes ou intensos em um cenário de mudanças climáticas.

O aquecimento dos oceanos, alterações nos padrões de vento e mudanças na circulação atmosférica são fatores que podem influenciar a formação de tempestades extremas.

Ainda não há uma conclusão definitiva, mas o fenômeno reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de estudos mais aprofundados sobre o comportamento dos oceanos.

A utilização de satélites como o SWOT marca uma nova era na oceanografia. Pela primeira vez, é possível observar o comportamento do oceano em escala global quase em tempo real, permitindo análises mais precisas e detalhadas.

Esses avanços contribuem para melhorar previsões meteorológicas, sistemas de alerta e a compreensão geral da dinâmica oceânica.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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