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Doença que internou atriz da Globo três vezes em 5 meses é ignorada por muitos

Por Leticia Florenço
26/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Internada - Reprodução/Unsplash/Stephen Andrews

Internada - Reprodução/Unsplash/Stephen Andrews

A revelação de que a atriz Isis Valverde precisou ser internada três vezes em apenas cinco meses por causa da doença celíaca trouxe novamente à tona um problema de saúde que ainda é ignorado por muitas pessoas.

Embora muita gente associe o diagnóstico apenas a desconfortos digestivos, especialistas alertam que a condição autoimune pode provocar sintomas variados e até graves complicações quando não é descoberta a tempo.

A doença celíaca acontece quando o organismo reage de forma agressiva ao glúten, proteína presente no trigo, na cevada e no centeio.

Em pessoas celíacas, o consumo desses alimentos desencadeia uma inflamação que agride diretamente o intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo.

Relato da atriz impressiona pela gravidade da reação

Ao falar publicamente sobre o problema, Isis Valverde explicou que convive com uma forma extremamente agressiva da doença desde os 19 anos. Segundo a atriz, até pequenos traços de contaminação podem desencadear fortes crises.

Ela contou que o simples contato indireto com alimentos preparados em óleo contaminado já é suficiente para fazê-la passar mal. O relato chamou atenção justamente porque muitas pessoas ainda acreditam que a doença celíaca seja apenas uma “intolerância leve” ou até uma escolha alimentar.

Na prática, porém, trata-se de uma condição séria e permanente, que exige uma alimentação totalmente livre de glúten e cuidados rigorosos para evitar contaminação cruzada.

Os sintomas vão muito além do intestino

Um dos principais motivos para o alto número de casos não diagnosticados é a variedade de sintomas que a doença pode apresentar. Nem todos os pacientes sofrem apenas com dores abdominais ou diarreia.

Em muitos casos, os sinais aparecem de maneira silenciosa e acabam confundidos com estresse, ansiedade ou até cansaço da rotina. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Dor abdominal frequente;
  • Estufamento;
  • Diarreia ou prisão de ventre;
  • Anemia persistente;
  • Perda de peso;
  • Fadiga intensa;
  • Náuseas;
  • Desconfortos gastrointestinais recorrentes.

Mas os especialistas alertam que o problema também pode provocar sintomas menos conhecidos, como:

  • Queda de cabelo;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de humor;
  • Aftas recorrentes;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dores de cabeça;
  • Problemas de pele;
  • Sintomas neurológicos.

Essa diversidade de manifestações faz com que muitos pacientes convivam durante anos sem descobrir a verdadeira origem do problema.

Especialistas alertam para número de casos desconhecidos

Mesmo com maior divulgação sobre a doença nos últimos anos, especialistas estimam que cerca de 80% das pessoas celíacas ainda não saibam que possuem a condição.

O mês de maio é marcado pela conscientização sobre a doença celíaca, especialmente no Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca, celebrado em 16 de maio. A campanha busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce.

Segundo médicos, muitas pessoas acabam normalizando dores, desconfortos e alterações digestivas sem imaginar que podem estar diante de uma doença autoimune que necessita de acompanhamento médico permanente.

Diagnóstico tardio pode trazer consequências graves

Quando não tratada corretamente, a doença celíaca pode gerar impactos importantes no organismo. Como o intestino inflamado deixa de absorver nutrientes adequadamente, o corpo começa a sofrer diversas deficiências nutricionais.

Entre as complicações mais preocupantes estão:

  • Osteoporose;
  • Infertilidade;
  • Desnutrição;
  • Deficiência de vitaminas;
  • Problemas imunológicos;
  • Maior risco de outras doenças autoimunes.

Por isso, especialistas reforçam que identificar o problema cedo pode evitar danos mais sérios ao longo dos anos.

Retirar o glúten por conta própria pode atrapalhar

Com o crescimento das dietas sem glúten nas redes sociais, muitas pessoas passaram a cortar alimentos da alimentação antes mesmo de procurar ajuda médica. Porém, essa atitude pode dificultar justamente a confirmação da doença.

O diagnóstico costuma envolver exames laboratoriais específicos, avaliação clínica detalhada e, em alguns casos, endoscopia com biópsia intestinal. Quando o paciente retira o glúten antes da investigação, os exames podem apresentar alterações menos evidentes, dificultando a identificação correta do problema.

Especialistas destacam ainda que existe diferença entre doença celíaca, sensibilidade ao glúten e intolerância alimentar. Nem toda pessoa que se sente mal após consumir pão ou massas possui a condição autoimune.

Cresce o alerta para cuidados permanentes com a alimentação

Diferentemente de outras condições temporárias, a doença celíaca não tem cura. O único tratamento eficaz é a exclusão total e permanente do glúten da alimentação.

Isso significa que pacientes precisam aprender a ler rótulos, evitar contaminações em cozinhas compartilhadas e manter atenção constante à composição dos alimentos consumidos.

Mesmo pequenas quantidades podem desencadear reações intensas em pessoas com quadros mais agressivos, como relatou Isis Valverde. Por isso, especialistas defendem mais informação, diagnóstico precoce e maior conscientização da sociedade sobre os impactos reais da doença.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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