Diminuir o tempo de recreio pode afetar negativamente o desempenho escolar, o bem-estar e o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, segundo um novo posicionamento da Academia Americana de Pediatria.
A entidade voltou a abordar o tema pela primeira vez em 13 anos e defendeu a ampliação dos intervalos durante a rotina escolar.
Para os especialistas, o recreio deve ser tratado como parte fundamental do processo de aprendizagem, e não apenas como um momento de descanso ou recompensa.
Entre as recomendações do documento estão pelo menos 20 minutos diários de recreio, mais de um intervalo ao longo do período letivo e pausas regulares entre atividades de maior exigência mental.
Prejuízos na redução do recreio
Redução do recreio nas escolas
- cerca de 40% das escolas dos Estados Unidos reduziram ou eliminaram períodos de recreio desde os anos 2000;
- a diminuição ocorreu principalmente por pressão por melhores notas;
- aumento do tempo dedicado às aulas e foco em testes padronizados também influenciaram a redução dos intervalos.
Impactos apontados pelos pesquisadores
- especialistas consideram a medida contraproducente para a aprendizagem;
- alunos mais velhos costumam ter ainda menos tempo de descanso;
- mesmo na adolescência, pausas continuam sendo consideradas importantes para convivência social e interação entre colegas.
Críticas da entidade
- a entidade criticou o uso do recreio como punição disciplinar;
- pesquisadores também condenaram a retirada do intervalo para compensar atividades escolares não concluídas;
- escolas de regiões mais pobres tendem a restringir o recreio com maior frequência por motivos acadêmicos ou comportamentais.
Importância das pausas
Segundo os especialistas, as pausas ao longo das aulas favorecem o processamento e a retenção do conteúdo aprendido, além de contribuírem para melhora da atenção, da memória e do equilíbrio emocional dos estudantes.
O estudo também aponta que brincadeiras livres e atividades realizadas ao ar livre estimulam habilidades sociais, emocionais e físicas durante o desenvolvimento infantil.
O documento cita ainda modelos internacionais adotados em países como Japão e Dinamarca, onde os sistemas educacionais incluem diversos intervalos ao longo da rotina escolar.
Nas escolas japonesas, por exemplo, é comum a realização de pausas de 10 a 15 minutos entre os períodos de aula.






