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Motivo pelo qual as cãibras nas pernas atacam justamente durante o sono e como evitá-las

Por Leticia Florenço
26/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Cãibra - Reprodução/Unsplash/Daria Kulkova

Cãibra - Reprodução/Unsplash/Daria Kulkova

Acordar no meio da madrugada com uma dor intensa na panturrilha é uma experiência bastante comum e, para muitas pessoas, assustadora.

A sensação é de que o músculo trava completamente, formando um nó doloroso que impede qualquer movimento normal da perna. Em poucos segundos, o corpo sai do estado de relaxamento profundo para um desconforto quase insuportável.

As cãibras noturnas atingem principalmente a panturrilha, os pés e as coxas. Embora geralmente sejam inofensivas, elas podem comprometer a qualidade do sono e deixar dores musculares que persistem por horas.

O mais curioso é que a maioria desses episódios acontece justamente durante a noite, quando o corpo está em repouso.

O que acontece com o músculo durante uma cãibra

A cãibra é uma contração involuntária e extremamente intensa do músculo. Em vez de relaxar normalmente após um movimento, as fibras musculares permanecem rígidas por alguns segundos ou minutos. Esse espasmo repentino provoca dor forte, endurecimento da região e dificuldade para movimentar a perna.

Em muitos casos, o músculo fica sensível mesmo depois que a crise termina. Algumas pessoas descrevem a sensação como se a perna tivesse sido submetida a um esforço extremo durante horas.

Por que as crises aparecem mais durante a madrugada

Durante o dia, os músculos estão constantemente ativos. Caminhar, levantar, mudar de posição e movimentar as pernas ajudam na circulação e mantêm a musculatura funcionando normalmente.

À noite, porém, o corpo permanece longos períodos sem movimento, criando um ambiente favorável para os espasmos musculares.

Além disso, certas posições ao dormir deixam a panturrilha encurtada por muito tempo. Dormir com os pés apontados para baixo, por exemplo, aumenta bastante a tensão muscular.

O relaxamento do sistema nervoso durante o sono também pode favorecer pequenas descargas involuntárias que desencadeiam a contração repentina.

Outro fator importante é a redução natural da circulação durante o repouso. Quando o sangue circula de forma menos eficiente em determinadas regiões, o músculo pode reagir com espasmos involuntários.

A desidratação pode ser uma das principais causas

Muitas pessoas passam o dia ingerindo pouca água sem perceber. O problema costuma aparecer justamente à noite, quando o organismo já está mais desidratado. A água é fundamental para o funcionamento muscular e para o equilíbrio dos eletrólitos responsáveis pela contração e relaxamento dos músculos.

Quando há desequilíbrio hídrico, o corpo fica mais vulnerável às cãibras. O excesso de álcool e cafeína também contribui para a perda de líquidos e aumenta o risco dos espasmos noturnos.

O desgaste muscular acumulado pesa durante o sono

Exercícios intensos, caminhadas longas, horas em pé ou esforço físico repetitivo podem deixar a musculatura sobrecarregada. Muitas vezes, a cãibra não aparece no momento do esforço, mas sim horas depois, quando o corpo finalmente entra em repouso.

Isso acontece porque músculos fatigados se tornam mais sensíveis às contrações involuntárias. Quem pratica atividade física em excesso sem descanso adequado costuma perceber mais episódios durante a madrugada.

O envelhecimento aumenta consideravelmente o risco

As cãibras tornam-se mais comuns com o avanço da idade. Isso ocorre porque os tendões encurtam naturalmente ao longo dos anos, a massa muscular diminui e a circulação tende a ficar menos eficiente.

Pessoas acima dos 60 anos apresentam índices muito maiores de cãibras noturnas. Em muitos casos, os episódios passam a fazer parte da rotina e acabam interferindo diretamente na qualidade do sono.

Além disso, idosos costumam usar mais medicamentos, e alguns remédios podem aumentar a frequência das crises musculares.

Mulheres grávidas também sofrem mais com o problema

Durante a gravidez, especialmente nos últimos meses, as cãibras noturnas se tornam extremamente frequentes. O aumento do peso corporal sobrecarrega os músculos das pernas, enquanto as alterações hormonais modificam a circulação e o funcionamento muscular.

A pressão exercida sobre nervos e vasos sanguíneos também contribui para o aparecimento dos espasmos. Muitas gestantes relatam episódios repetidos justamente durante a madrugada.

Alguns medicamentos podem desencadear cãibras

Certos medicamentos têm as cãibras musculares como efeito colateral. Entre eles estão diuréticos, estatinas, antidepressivos, medicamentos neurológicos e alguns remédios para pressão arterial e asma.

Isso acontece porque determinadas substâncias alteram os níveis de minerais no organismo, interferem na circulação ou afetam diretamente o funcionamento muscular. Quando as crises passam a ser frequentes após o início de um medicamento, é importante conversar com um médico.

Em alguns casos, a cãibra pode indicar problemas de saúde

Apesar de normalmente serem benignas, as cãibras também podem estar associadas a doenças mais sérias. Problemas circulatórios, diabetes, insuficiência renal, neuropatias, doença arterial periférica e distúrbios neuromusculares estão entre as condições que podem favorecer os espasmos.

Quando as dores são muito frequentes, intensas ou acompanhadas de dormência, inchaço e alterações na pele, a avaliação médica torna-se indispensável.

O que fazer na hora da dor

Quando a cãibra começa, o mais importante é tentar relaxar o músculo rapidamente. Alongar a perna costuma ser a medida mais eficiente. Puxar os dedos do pé em direção à canela ajuda a esticar a panturrilha e aliviar a contração.

Massagear a região também pode estimular a circulação e reduzir a tensão muscular. Em muitos casos, levantar e caminhar alguns passos acelera o relaxamento do músculo.

Aplicar calor, como uma bolsa térmica ou banho morno, ajuda a diminuir a rigidez. Depois da crise, o gelo pode aliviar a dor residual.

Pequenas mudanças podem reduzir bastante as crises

Embora não exista um tratamento capaz de eliminar completamente as cãibras, alguns hábitos reduzem muito a frequência dos episódios. A hidratação adequada está entre as medidas mais importantes. Beber água regularmente ao longo do dia ajuda o organismo a manter o equilíbrio muscular.

Alongamentos leves antes de dormir também apresentam bons resultados. Eles ajudam a relaxar a musculatura e diminuem o risco de espasmos durante a madrugada.

Outro detalhe importante é a posição dos pés ao dormir. Dormir com os pés excessivamente esticados favorece o encurtamento da panturrilha. Manter os pés em posição mais neutra pode ajudar bastante.

Cobertores muito apertados nos pés também devem ser evitados, já que podem forçar posições inadequadas durante o sono.

Alimentação equilibrada ajuda o funcionamento muscular

Embora nem toda cãibra esteja ligada à deficiência de minerais, manter uma alimentação equilibrada é importante para a saúde muscular. Nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e vitamina B12 participam diretamente da contração muscular e do funcionamento dos nervos.

Frutas, verduras, legumes e proteínas ajudam a manter o organismo em equilíbrio e podem contribuir para a redução das crises.

Quando procurar ajuda médica

Embora sejam comuns, as cãibras merecem atenção quando se tornam frequentes ou muito dolorosas. Também é importante buscar orientação médica quando aparecem sintomas como dormência, inchaço, alterações na pele, fraqueza muscular ou dores em outras partes do corpo.

A avaliação profissional ajuda a identificar possíveis doenças associadas e descartar problemas mais sérios.

Entender por que as cãibras acontecem é o primeiro passo para evitar que a madrugada seja interrompida por aquela dor intensa que parece travar completamente a perna.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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