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Dois países lideram rejeição de brasileiros nas fronteiras da Europa; entenda o motivo

Por Leticia Florenço
24/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Passaporte - Reprodução/iStock

Passaporte - Reprodução/iStock

Os controles migratórios da União Europeia registraram, em 2025, um aumento significativo na rejeição de brasileiros nas fronteiras do continente. Ao todo, os escritórios de imigração barraram 2.910 cidadãos do Brasil, segundo dados do balanço anual da Eurostat.

O número representa uma alta de 14% em relação ao ano anterior e marca o maior nível de recusas desde 2019, indicando um fortalecimento das políticas de entrada em vários países europeus.

A maior parte dos casos ocorreu diretamente nos aeroportos, logo no momento do desembarque, evidenciando uma fiscalização mais rigorosa já na chegada ao território europeu.

Portugal e Irlanda concentram mais da metade das rejeições

Dois países se destacaram como os principais responsáveis pelas negativas de entrada a brasileiros: Portugal e Irlanda.

Portugal liderou o ranking com 750 recusas, seguido de perto pela Irlanda, que registrou 725 casos. Juntos, esses dois destinos somam mais da metade de todas as rejeições aplicadas a viajantes nascidos no Brasil em 2025.

A concentração das negativas nesses países chama atenção por serem justamente destinos tradicionais de brasileiros na Europa, tanto para turismo quanto para estudo e trabalho, o que reforça mudanças recentes na triagem migratória.

Principais motivos das recusas nas fronteiras

As autoridades de fronteira europeias apontaram diferentes razões para impedir a entrada de brasileiros, com destaque para situações relacionadas à documentação e à falta de comprovação de viagem.

Entre os principais motivos estão:

  • Ausência de justificativa clara sobre o objetivo da viagem (1.085 casos)
  • Uso de vistos ou documentos de residência considerados falsificados (645 casos)
  • Falta de recursos financeiros suficientes para permanecer no país
  • Apresentação de passaportes vencidos ou irregulares

Esses fatores indicam um reforço na exigência de comprovação de vínculo com o país de origem, além de maior rigor na análise de documentação apresentada pelos viajantes.

Brasil no ranking global de recusas e deportações

O Brasil ocupa atualmente a 12ª posição entre os países com maior número de cidadãos impedidos de entrar no território europeu. Além das rejeições na fronteira, o relatório aponta ainda 3.050 ordens de deportação executadas contra brasileiros ao longo do ano.

Esse número corresponde a cerca de 2% de todas as repatriações forçadas realizadas no continente europeu no mesmo período, mostrando que o Brasil mantém presença relevante nas estatísticas migratórias da região.

Fortalecimento das políticas migratórias na Europa

O aumento das recusas contra brasileiros ocorre em um contexto mais amplo de reforço no controle migratório em toda a Europa. Segundo o Eurostat, as detenções de imigrantes em situação irregular cresceram 21,7% no último ano.

A intensificação das fiscalizações reflete mudanças nas políticas internas de diversos países, que passaram a adotar regras mais rígidas diante do aumento dos fluxos migratórios e de preocupações com segurança e documentação.

Países europeus com maior repressão a imigrantes irregulares

Entre os países com maior número de detenções e ações de controle migratório, destacam-se:

  • Alemanha, líder em capturas de estrangeiros em situação irregular
  • França, segunda colocada em número de ações
  • Polônia, Croácia e Romênia, entre os destaques nas fronteiras terrestres externas do bloco

Esses países desempenham papel central na contenção de fluxos migratórios, especialmente em rotas de entrada por terra.

Ucrânia lidera ranking geral de rejeições

No panorama geral da União Europeia, a Ucrânia aparece no topo da lista de recusas, com cerca de 130 mil cidadãos barrados. O aumento está diretamente relacionado ao prolongamento do conflito com a Rússia, que intensificou os deslocamentos populacionais na região.

Logo atrás aparecem nacionais de países como Turquia, Geórgia e Síria, que continuam entre os grupos com maior pressão migratória sobre o continente.

Com isso, viajar para a Europa exige cada vez mais preparo, organização e atenção às regras de entrada, especialmente diante de um ambiente migratório mais restritivo e altamente fiscalizado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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