Os preços do café registraram forte alta nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (21) após o mercado aumentar a preocupação com os impactos do possível retorno do El Niño sobre a próxima safra brasileira. O temor de problemas climáticos no maior produtor mundial do grão levou investidores a retomarem posições nos contratos futuros.
A movimentação ocorreu após análises indicarem que o fenômeno climático pode atrasar as chuvas no Brasil durante um período considerado decisivo para o desenvolvimento das lavouras.
Fenômeno pode afetar período da florada
Segundo a consultoria Commercial Coffee Trading, o El Niño pode provocar atraso nas precipitações entre setembro e outubro, justamente durante a fase da florada do café.
Especialistas alertam que a falta de chuvas nesse período pode comprometer o desenvolvimento da safra seguinte, reduzindo produtividade e afetando a qualidade dos grãos em algumas regiões produtoras.
O cenário preocupa principalmente estados como Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, responsáveis por grande parte da produção nacional.
Relatório dos EUA causou preocupação no mercado
A preocupação ganhou força após a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) divulgar uma nova projeção climática.
O órgão passou a estimar 82% de chance de formação do El Niño entre maio e julho deste ano. A atualização elevou o nervosismo entre operadores do mercado agrícola, que passaram a monitorar com mais atenção os impactos sobre as commodities.
A possibilidade de instabilidade climática no Brasil foi suficiente para impulsionar as cotações internacionais do café.
Café arábica sobe em Nova York
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do café arábica encerraram o pregão em alta.
O vencimento julho/26 avançou 1,90%, fechando em 273,40 cents por libra-peso. Já o setembro/26 subiu 1,92%, enquanto dezembro/26 teve valorização de 1,72%.
Os ganhos refletem a tentativa do mercado de antecipar possíveis dificuldades na produção brasileira caso o clima realmente seja afetado nos próximos meses.
Robusta também registra valorização em Londres
O café robusta negociado na Bolsa de Londres também acompanhou o movimento positivo.
O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 3.399 por tonelada, com alta de 2,13%. Outros vencimentos também registraram avanço durante a sessão.
Mesmo sendo considerado mais resistente às mudanças climáticas, o robusta também depende de condições adequadas de chuva e temperatura para manter bons níveis de produtividade.
Previsões ainda apontam safra elevada no Brasil
Apesar do receio envolvendo o clima, o mercado continua acompanhando estimativas otimistas para a produção brasileira nos próximos ciclos.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a previsão da safra nacional de café em 2026 para 66,7 milhões de sacas de 60 quilos, cerca de 500 mil sacas acima da estimativa anterior.
Para o café arábica, a expectativa oficial é de produção de 45,8 milhões de sacas.
Banco projeta recuperação da produção
O Rabobank também divulgou projeção positiva para o setor cafeeiro brasileiro.
Segundo levantamento realizado em regiões produtoras, a safra de arábica do Brasil em 2026/27 pode crescer 27,5%, alcançando 48,7 milhões de sacas. A estimativa reforça a expectativa de recuperação da produção após ciclos marcados por oscilações climáticas e perdas em algumas áreas agrícolas.
Clima seguirá determinando preços do café
Nos próximos meses, o comportamento climático deverá continuar sendo o principal fator de influência sobre o mercado internacional do café.
Investidores, exportadores e produtores acompanham com atenção os próximos relatórios meteorológicos, já que qualquer confirmação de impactos do El Niño pode provocar novas altas nas cotações globais.
Enquanto isso, o setor cafeeiro brasileiro segue dividido entre a expectativa de uma safra robusta e o risco de novas interferências climáticas nas lavouras.





