O caso do muro de mais de 500 metros instalado no Pontal de Maracaípe, em Ipojuca, tornou-se um dos episódios mais controversos recentes envolvendo ocupação do litoral nordestino.
A estrutura foi feita em uma das áreas mais visitadas da região, próxima à famosa praia de Porto de Galinhas, e rapidamente passou a ser alvo de denúncias de moradores, turistas e ambientalistas.
Após três anos de impasse, a Justiça Federal determinou a derrubada integral do muro, encerrando (ao menos temporariamente) uma disputa marcada por decisões conflitantes e forte pressão social.
Decisão judicial e prazo para demolição
A sentença, publicada em 15 de maio pela 35ª Vara Federal de Pernambuco, estabelece que o responsável pela construção deve remover completamente a estrutura em até 15 dias.
A decisão também determina que os resíduos sejam destinados de forma ambientalmente adequada. Caso o prazo não seja cumprido, órgãos ambientais como o IBAMA e a CPRH poderão realizar a demolição, com cobrança posterior dos custos ao proprietário.
O caso tem ligação direta com uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que apontou irregularidades ambientais e restrição de acesso público à praia.
Como o muro foi construído e por que gerou polêmica
A estrutura, com cerca de 576 metros, foi erguida em maio de 2023 por um empresário em um terreno particular localizado em frente ao Pontal de Maracaípe. O local pertence à mesma família há décadas e tem área superior a dez hectares.
O muro foi construído com troncos de coqueiro fixados no solo e sacos de ráfia preenchidos com areia, formando uma barreira física contínua ao longo da faixa costeira.
Desde o início, a obra gerou controvérsia por dois motivos principais:
- Dificultar o acesso de banhistas à praia;
- Impactar o equilíbrio ambiental de uma área sensível de manguezal e berçário marinho.
Conflito entre autorização e irregularidades
A construção chegou a ser autorizada inicialmente pela CPRH sob a justificativa de contenção e proteção ambiental da área.
No entanto, investigações posteriores apontaram divergências entre o projeto aprovado e o que foi efetivamente construído, incluindo aumento da extensão da barreira e impactos não previstos.
Em 2024, a CPRH chegou a determinar a demolição da estrutura. Entretanto, decisões judiciais posteriores suspenderam temporariamente a remoção, criando um cenário de insegurança jurídica que prolongou o impasse.
Tentativas de demolição e reconstrução da estrutura
Em janeiro de 2025, órgãos ambientais chegaram a iniciar a retirada da estrutura. No entanto, parte do muro foi reconstruída poucas horas após o início da demolição, o que gerou nova crise institucional.
Esse episódio reforçou a necessidade de uma decisão definitiva, que acabou sendo consolidada pela Justiça Federal em 2026.
O desfecho, porém, ainda depende do cumprimento da ordem judicial e da possibilidade de novos recursos, mantendo o caso sob atenção nacional.





