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Muro de 500 metros proíbe entrada de pessoas nessa praia pública muito famosa no Nordeste

Por Leticia Florenço
22/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Muro construído em praia de Pernambuco  • Divulgação

Muro construído em praia de Pernambuco • Divulgação

O caso do muro de mais de 500 metros instalado no Pontal de Maracaípe, em Ipojuca, tornou-se um dos episódios mais controversos recentes envolvendo ocupação do litoral nordestino.

A estrutura foi feita em uma das áreas mais visitadas da região, próxima à famosa praia de Porto de Galinhas, e rapidamente passou a ser alvo de denúncias de moradores, turistas e ambientalistas.

Após três anos de impasse, a Justiça Federal determinou a derrubada integral do muro, encerrando (ao menos temporariamente) uma disputa marcada por decisões conflitantes e forte pressão social.

Decisão judicial e prazo para demolição

A sentença, publicada em 15 de maio pela 35ª Vara Federal de Pernambuco, estabelece que o responsável pela construção deve remover completamente a estrutura em até 15 dias.

A decisão também determina que os resíduos sejam destinados de forma ambientalmente adequada. Caso o prazo não seja cumprido, órgãos ambientais como o IBAMA e a CPRH poderão realizar a demolição, com cobrança posterior dos custos ao proprietário.

O caso tem ligação direta com uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que apontou irregularidades ambientais e restrição de acesso público à praia.

Como o muro foi construído e por que gerou polêmica

A estrutura, com cerca de 576 metros, foi erguida em maio de 2023 por um empresário em um terreno particular localizado em frente ao Pontal de Maracaípe. O local pertence à mesma família há décadas e tem área superior a dez hectares.

O muro foi construído com troncos de coqueiro fixados no solo e sacos de ráfia preenchidos com areia, formando uma barreira física contínua ao longo da faixa costeira.

Desde o início, a obra gerou controvérsia por dois motivos principais:

  • Dificultar o acesso de banhistas à praia;
  • Impactar o equilíbrio ambiental de uma área sensível de manguezal e berçário marinho.

Conflito entre autorização e irregularidades

A construção chegou a ser autorizada inicialmente pela CPRH sob a justificativa de contenção e proteção ambiental da área.

No entanto, investigações posteriores apontaram divergências entre o projeto aprovado e o que foi efetivamente construído, incluindo aumento da extensão da barreira e impactos não previstos.

Em 2024, a CPRH chegou a determinar a demolição da estrutura. Entretanto, decisões judiciais posteriores suspenderam temporariamente a remoção, criando um cenário de insegurança jurídica que prolongou o impasse.

Tentativas de demolição e reconstrução da estrutura

Em janeiro de 2025, órgãos ambientais chegaram a iniciar a retirada da estrutura. No entanto, parte do muro foi reconstruída poucas horas após o início da demolição, o que gerou nova crise institucional.

Esse episódio reforçou a necessidade de uma decisão definitiva, que acabou sendo consolidada pela Justiça Federal em 2026.

O desfecho, porém, ainda depende do cumprimento da ordem judicial e da possibilidade de novos recursos, mantendo o caso sob atenção nacional.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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