Um novo levantamento divulgado pelo instituto Imazon, em parceria com outras organizações de pesquisa, trouxe um panorama atualizado sobre a qualidade de vida nos municípios brasileiros em 2026.
O estudo analisou os 5.570 municípios do país com base no Índice de Progresso Social (IPS), revelando um cenário marcado por fortes desigualdades regionais, avanços tímidos e uma concentração de melhores resultados no Sul e Sudeste.
O ranking reforça um padrão já observado em anos anteriores: enquanto algumas cidades conseguem manter alto desempenho em indicadores sociais e ambientais, grande parte do Norte e Nordeste ainda enfrenta desafios estruturais profundos.
O que mede o ranking de qualidade de vida
O estudo utiliza o Índice de Progresso Social (IPS), que vai além da análise econômica tradicional. Em vez de medir apenas riqueza ou PIB, o índice avalia se a população realmente tem acesso a condições básicas de vida e bem-estar.
O IPS considera 57 indicadores distribuídos em três grandes dimensões:
- Necessidades Humanas Básicas (como moradia, saúde e segurança)
- Fundamentos do Bem-Estar (educação, meio ambiente e comunicação)
- Oportunidades (direitos individuais e inclusão social)
As informações são baseadas em dados de instituições como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas, permitindo uma visão ampla da realidade social brasileira.
Gavião Peixoto lidera pelo terceiro ano seguido
Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto (SP) aparece no topo do ranking nacional, com 73,10 pontos. A pequena cidade do interior paulista, com cerca de 4,8 mil habitantes, se destaca pela combinação de boa gestão pública, indicadores sociais elevados e infraestrutura equilibrada.
Logo atrás aparecem municípios também do Sudeste e Sul, como:
- Jundiaí (SP)
- Osvaldo Cruz (SP)
- Pompéia (SP)
- Curitiba (PR)
- Nova Lima (MG)
O desempenho dessas cidades reforça a concentração dos melhores índices em regiões mais desenvolvidas economicamente.
As 20 cidades com melhor qualidade de vida
Entre os municípios mais bem avaliados no IPS 2026, predominam cidades do interior paulista e de estados do Sul. O ranking também inclui capitais importantes, como Curitiba e Brasília.
Destaques do topo da lista:
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
- Nova Lima (MG) — 71,22
- Maringá (PR) — 70,87
- Brasília (DF) — 70,73
- Ribeirão Preto (SP) — 70,80
- Araraquara (SP) — 70,70
A presença de várias cidades médias e pequenas no topo indica que o alto desempenho não depende apenas do tamanho populacional, mas de políticas públicas consistentes.
As cidades com pior qualidade de vida
Na outra ponta do ranking, a maior parte dos piores resultados está concentrada nas regiões Norte e Nordeste. O município de Uiramutã (RR) aparece em último lugar, com 42,44 pontos.
Entre os últimos colocados estão:
- Uiramutã (RR)
- Jacareacanga (PA)
- Alto Alegre (RR)
- Portel (PA)
- Amajari (RR)
- Pacajá (PA)
- Anapu (PA)
- Uruará (PA)
- Trairão (PA)
- Anajás (PA)
Essas cidades enfrentam dificuldades relacionadas a infraestrutura, acesso a serviços públicos, educação e saneamento básico.
Desigualdade regional continua evidente
Um dos pontos mais marcantes do estudo é a desigualdade entre as regiões do país. Entre as 20 melhores cidades, 18 estão no Sul e Sudeste. Já entre as 20 piores, 19 estão no Norte e Nordeste.
Esse padrão evidencia uma diferença histórica no desenvolvimento regional brasileiro, especialmente em áreas como:
- Acesso à saúde
- Qualidade da educação
- Saneamento básico
- Infraestrutura urbana
- Oportunidades econômicas
Capitais brasileiras no ranking
Entre as capitais, Curitiba lidera com folga, seguida por Brasília e São Paulo. O desempenho dessas cidades está ligado à boa cobertura de serviços públicos e melhor equilíbrio ambiental.
Top 5 capitais:
- Curitiba (PR) — 71,29
- Brasília (DF) — 70,73
- São Paulo (SP) — 70,64
- Campo Grande (MS) — 69,77
- Belo Horizonte (MG) — 69,66
Na parte inferior do ranking aparecem:
- Macapá (AP)
- Porto Velho (RO)
Essas duas capitais são as únicas entre as últimas posições no ranking geral.
Apesar de avanços, o estudo reforça que a melhoria da qualidade de vida no país depende de políticas públicas mais equilibradas, capazes de reduzir as diferenças regionais e garantir acesso mais justo a serviços essenciais em todo o território nacional.





