O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou gratuitamente o teste genético que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados a um risco alto de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário.
A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e estabelece um prazo de até 180 dias para início da oferta na rede pública.
A decisão representa um avanço importante na área da oncologia de precisão no Brasil, ampliando o acesso a uma tecnologia que antes era restrita principalmente à rede privada.
Como funciona o teste genético e o que ele identifica
O exame é feito a partir de uma simples amostra de sangue, sem necessidade de preparo prévio. Ele analisa o DNA do paciente em busca de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis por reparar danos no material genético das células.
Quando essas mutações estão presentes, o organismo perde parte da capacidade de correção de erros no DNA, o que aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento de tumores ao longo da vida.
Relação entre as mutações BRCA e o risco elevado de câncer
As mutações nos genes BRCA estão entre os fatores hereditários mais conhecidos associados ao câncer de mama. Em casos positivos, o risco de desenvolvimento da doença pode chegar a níveis muito elevados, podendo atingir até cerca de 87% ao longo da vida em algumas situações.
Além do câncer de mama, essas alterações genéticas também aumentam o risco de câncer de ovário e, em menor grau, de outros tipos de câncer, inclusive em homens.
Influência do resultado para familiares e prevenção ampliada
Quando uma mutação genética é identificada, o impacto não se limita à paciente diagnosticada. Familiares de primeiro grau podem ser orientados a realizar o teste e, caso também apresentem a alteração genética, passam a ser incluídos em programas de vigilância intensiva.
Esse acompanhamento pode incluir mamografias mais frequentes, ressonâncias magnéticas periódicas e monitoramento especializado, com foco na detecção precoce da doença.
Ampliação do acesso e redução da desigualdade no diagnóstico
Até então, o teste genético era realizado principalmente na rede privada, com custos que variavam entre R$ 1.000 e R$ 3.000, dependendo da complexidade da análise. Em alguns casos, o valor era ainda mais alto.
Com a incorporação ao SUS, o exame passa a ser gratuito, o que representa um avanço na redução das desigualdades de acesso ao diagnóstico genético no país e na ampliação da prevenção em larga escala.
Desafios na implementação e limitações atuais
Apesar do avanço, ainda existem desafios importantes. A rede pública ainda não oferece amplamente todas as intervenções preventivas recomendadas em casos positivos, como cirurgias profiláticas em larga escala.
Além disso, será necessário expandir a estrutura laboratorial e capacitar profissionais para lidar com a demanda crescente e com a interpretação adequada dos resultados genéticos.
A incorporação do teste genético pelo SUS representa um marco na saúde pública brasileira. Ao permitir a identificação precoce de riscos hereditários, a medida fortalece a prevenção, amplia o acesso ao diagnóstico e abre caminho para tratamentos mais personalizados.
Embora ainda existam desafios estruturais e operacionais, a iniciativa representa um passo importante na modernização do enfrentamento ao câncer de mama no Brasil.





