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SUS vai oferecer gratuitamente o teste genético que indica risco de câncer de mama

Por Leticia Florenço
18/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Câncer - Reprodução/iStock

Câncer - Reprodução/iStock

O Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou gratuitamente o teste genético que identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados a um risco alto de desenvolvimento de câncer de mama e de ovário.

A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União e estabelece um prazo de até 180 dias para início da oferta na rede pública.

A decisão representa um avanço importante na área da oncologia de precisão no Brasil, ampliando o acesso a uma tecnologia que antes era restrita principalmente à rede privada.

Como funciona o teste genético e o que ele identifica

O exame é feito a partir de uma simples amostra de sangue, sem necessidade de preparo prévio. Ele analisa o DNA do paciente em busca de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis por reparar danos no material genético das células.

Quando essas mutações estão presentes, o organismo perde parte da capacidade de correção de erros no DNA, o que aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento de tumores ao longo da vida.

Relação entre as mutações BRCA e o risco elevado de câncer

As mutações nos genes BRCA estão entre os fatores hereditários mais conhecidos associados ao câncer de mama. Em casos positivos, o risco de desenvolvimento da doença pode chegar a níveis muito elevados, podendo atingir até cerca de 87% ao longo da vida em algumas situações.

Além do câncer de mama, essas alterações genéticas também aumentam o risco de câncer de ovário e, em menor grau, de outros tipos de câncer, inclusive em homens.

Influência do resultado para familiares e prevenção ampliada

Quando uma mutação genética é identificada, o impacto não se limita à paciente diagnosticada. Familiares de primeiro grau podem ser orientados a realizar o teste e, caso também apresentem a alteração genética, passam a ser incluídos em programas de vigilância intensiva.

Esse acompanhamento pode incluir mamografias mais frequentes, ressonâncias magnéticas periódicas e monitoramento especializado, com foco na detecção precoce da doença.

Ampliação do acesso e redução da desigualdade no diagnóstico

Até então, o teste genético era realizado principalmente na rede privada, com custos que variavam entre R$ 1.000 e R$ 3.000, dependendo da complexidade da análise. Em alguns casos, o valor era ainda mais alto.

Com a incorporação ao SUS, o exame passa a ser gratuito, o que representa um avanço na redução das desigualdades de acesso ao diagnóstico genético no país e na ampliação da prevenção em larga escala.

Desafios na implementação e limitações atuais

Apesar do avanço, ainda existem desafios importantes. A rede pública ainda não oferece amplamente todas as intervenções preventivas recomendadas em casos positivos, como cirurgias profiláticas em larga escala.

Além disso, será necessário expandir a estrutura laboratorial e capacitar profissionais para lidar com a demanda crescente e com a interpretação adequada dos resultados genéticos.

A incorporação do teste genético pelo SUS representa um marco na saúde pública brasileira. Ao permitir a identificação precoce de riscos hereditários, a medida fortalece a prevenção, amplia o acesso ao diagnóstico e abre caminho para tratamentos mais personalizados.

Embora ainda existam desafios estruturais e operacionais, a iniciativa representa um passo importante na modernização do enfrentamento ao câncer de mama no Brasil.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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