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Bancos querem definir os juros do consignado do INSS de forma automática

Por Leticia Florenço
13/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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INSS - Foto: (Imagem/Reprodução)

INSS - Foto: (Imagem/Reprodução)

O debate sobre o crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou a ganhar força após instituições financeiras defenderem a criação de um modelo automático para definição das taxas de juros.

A proposta busca substituir o sistema atual, que depende de decisões mensais do governo, por uma metodologia baseada em indicadores de mercado de longo prazo.

As instituições bancárias querem que os juros deixem de ser definidos por negociações frequentes e passem a seguir uma fórmula fixa. Essa regra automática estaria vinculada a índices financeiros mais amplos, reduzindo a dependência da taxa Selic como principal referência.

Segundo representantes do setor, esse modelo traria mais previsibilidade e estabilidade, tanto para os bancos quanto para os consumidores que utilizam o crédito consignado.

Como funciona o sistema atual

Hoje, o teto de juros do consignado do INSS é definido mensalmente pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), após análises técnicas e negociações entre governo e instituições financeiras.

Esse processo já foi alvo de divergências em diferentes momentos, especialmente em períodos de oscilação da taxa básica de juros da economia.

O mercado é considerado um dos maiores do país, movimentando cerca de R$ 100 bilhões por ano, com mais de 65 milhões de contratos ativos e uma carteira total que ultrapassa R$ 280 bilhões.

Argumentos dos bancos e da Febraban

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defende que uma metodologia automática poderia refletir melhor o custo real do crédito. Entre os fatores citados estão o risco de inadimplência, o custo de captação das instituições financeiras, impostos e despesas operacionais.

Para a entidade, esse modelo reduziria distorções e evitaria intervenções emergenciais que podem afetar a oferta de crédito em determinados grupos de maior risco.

Discussão política e papel do Congresso

O setor financeiro pretende levar o tema ao Congresso Nacional, onde também busca discutir alterações em medidas recentes relacionadas ao crédito consignado. O assunto envolve diferentes órgãos do governo e exige equilíbrio entre a sustentabilidade do sistema financeiro e a proteção dos beneficiários do INSS.

O tema já foi motivo de tensão entre bancos e governo em outras ocasiões, especialmente quando houve mudanças no teto de juros e decisões judiciais que impactaram temporariamente a oferta de crédito.

Debate sobre o cartão consignado

Outro ponto em discussão é o futuro do cartão consignado do INSS, cuja extinção está prevista em medidas ligadas a programas de renegociação de dívidas. Para o setor bancário, o fim do produto pode reduzir alternativas de crédito mais acessíveis, levando aposentados e pensionistas a buscar opções mais caras no mercado.

Segundo representantes dos bancos, o cartão consignado ainda cumpre papel importante ao oferecer crédito com juros controlados dentro de um sistema regulado.

Possíveis impactos da mudança nos juros

Caso a proposta de fórmula automática avance, o sistema de crédito consignado pode passar por uma transformação significativa. Entre os possíveis efeitos estão maior previsibilidade nas taxas, redução de disputas regulatórias e mudanças na dinâmica de oferta de crédito.

Por outro lado, especialistas alertam que a adoção de um modelo automático pode reduzir a capacidade de intervenção do governo em momentos de instabilidade econômica.

O tema ainda está em negociação e pode redefinir uma das linhas de crédito mais importantes do país.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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