Publicado em abril de 2026 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo “Probing rock rupture with naturally occurring nuclide signals” apresentou um modelo matemático capaz de relacionar emissões geoquímicas ao processo de enfraquecimento das rochas antes da ruptura.
Desenvolvida por cientistas da China e dos Estados Unidos, a pesquisa identificou sinais químicos emitidos por rochas sob tensão, avanço que poderá auxiliar futuramente na criação de sistemas de alerta para terremotos, deslizamentos e outros desastres geológicos.
Sinais das rochas
De acordo com os pesquisadores, rochas submetidas a pressão intensa passam a formar pequenas fissuras internas e liberam elementos naturais, como radônio, hélio, argônio e tório.
Essas emissões geoquímicas poderiam atuar como sinais prévios de que a estrutura da rocha está próxima da ruptura.
O estudo apontou quatro estágios principais nesse processo:
- formação inicial das fissuras
- abertura das rachaduras
- expansão das fissuras
- propagação até o rompimento total
Segundo os cientistas, cada etapa apresenta alterações químicas específicas que podem ser medidas.
O modelo também identificou dois padrões predominantes nos sinais emitidos:
- pulsos temporários relacionados ao avanço das rachaduras
- oscilações associadas à abertura e expansão das fissuras
Para validar o modelo, os cientistas analisaram um experimento com granito em laboratório e dados coletados durante três anos nos Alpes franceses.
O estudo também cita o aumento das emissões de radônio registrado em Kobe nove dias antes do terremoto de magnitude 7,2 de 1995.
Testes, interferências e planos futuros
Os pesquisadores defendem que os sinais de nuclídeos podem, no futuro, funcionar como um método de alerta antecipado, já que são detectáveis na superfície mesmo quando se originam em grandes profundidades nas rochas.
Como parte dos testes, estações de monitoramento de radônio já foram instaladas em zonas de risco na China, incluindo a região das Três Gargantas, áreas próximas à hidrelétrica de Xiluodu e encostas em Hong Kong.
Apesar dos avanços, o estudo aponta que elementos externos ainda podem interferir nas medições, como águas subterrâneas aquecidas, salmouras e o deslocamento de fluidos no subsolo.
Por isso, os autores destacam que o modelo ainda requer novas validações em campo antes de ser aplicado como sistema operacional de previsão de desastres geológicos.






