A fusão nuclear, associada ao conceito de “Sol artificial”, tenta reproduzir na Terra o processo das estrelas, em que núcleos de hidrogênio se fundem sob temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius, gerando energia.
O desafio é manter o plasma confinado por campos magnéticos sem contato com as paredes do reator.
O processo usa combustíveis abundantes, como deutério da água do mar e trítio do lítio, com alta disponibilidade energética. Não emite gases de efeito estufa e gera resíduos radioativos de curta duração.
Corrida pelo ‘Sol artificial’
- Estados Unidos: O National Ignition Facility registrou, em 2022, ganho energético em laboratório em experimento de fusão nuclear. Apesar do avanço, o sistema ainda consome mais energia do que produz no balanço total, especialmente devido ao uso de lasers de alta potência
- França: O ITER reúne mais de 30 países e é o maior projeto internacional da área. O objetivo é demonstrar a viabilidade do confinamento estável do plasma em escala experimental. O reator WEST alcançou recordes de duração do plasma, contribuindo para o avanço da estabilidade do processo
- China: O reator EAST atingiu recordes de confinamento e operação prolongada do plasma. Os resultados ajudam a aproximar a tecnologia de um funcionamento contínuo e mais eficiente
O setor privado já movimenta bilhões em projetos de fusão nuclear, com foco em reatores compactos e uso de ímãs supercondutores para reduzir custos.
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda não é comercial, e as projeções indicam usinas viáveis entre 2040 e 2050, com tentativas de antecipação desse prazo.
Papel do Brasil e desafios
No Brasil, a pesquisa em fusão nuclear é conduzida principalmente por universidades e instituições públicas, com destaque para tokamaks como o TCABR da USP, referência em estudos de plasma no hemisfério sul.
O foco está na formação científica e em pesquisa básica, com pouca participação do setor privado, embora o país tenha relevância regional por sua estrutura experimental.
No cenário global, o principal desafio segue sendo estabilizar o plasma de forma contínua e alcançar ganho energético superior ao consumo, etapa essencial para viabilizar o “Sol artificial” como fonte comercial de energia.





