Realizada em Biarritz, na França, a coleção Cruise 2026/27 da Chanel foi concebida a partir de uma proposta que retoma referências às origens da maison, ao mesmo tempo em que incorpora elementos ligados ao universo marítimo, tecidos mais leves e novas interpretações de códigos tradicionais da marca, como o tweed e as listras.
O desfile da Chanel se destacou ainda pelo conjunto de peças com forte orientação conceitual, que evidenciaram o caráter experimental da coleção. Dentro desse cenário, foi apresentada uma sandália que rompe de maneira direta com o padrão tradicional de calçados.
Nova sandália da Chanel
Estrutura do modelo de sandália
- Elimina quase totalmente a estrutura tradicional de um calçado, deixando a parte frontal do pé exposta.
- Centraliza o suporte apenas na região do calcanhar.
- Utiliza uma base mínima combinada com tiras finas para sustentação.
- É frequentemente descrito como um “calçado sem calçado”.
- Explora a fronteira entre estar descalço e estar calçado.
- Transforma a função prática em um elemento mais simbólico e estético.
Direção criativa e concepção
- Integra a atuação de Matthieu Blazy, que assumiu a direção criativa da Chanel em 2025.
- Faz parte de um movimento de releitura de elementos históricos da maison.
- Propõe a transformação de códigos clássicos em versões mais experimentais e radicais.
- Combina preservação de referências tradicionais com ampliação dos limites formais da moda de luxo.
Impacto e recepção
- Sintetiza a proposta de redução do design ao essencial.
- Converte o calçado em um objeto de experimentação estética.
- Gera forte repercussão no meio da moda e nas redes sociais.
- Estimula debate sobre a relação entre funcionalidade e conceito.
Reações e tendência
As reações foram divididas. Parte do público e de especialistas do setor viu a peça como coerente com a lógica das passarelas, onde a experimentação tem papel central.
Outra parte questionou a falta de funcionalidade e a possibilidade de uso no cotidiano, destacando seu caráter essencialmente conceitual.
De modo mais amplo, a criação da Chanel se insere em uma tendência da moda de luxo contemporânea marcada pelo minimalismo extremo, pela redução de estruturas tradicionais e pela valorização da experiência sensorial e do impacto visual.
Nesse contexto, muitas peças são concebidas mais como linguagem conceitual do que como produtos destinados ao uso diário.





