Uma pesquisa recente realizada pelo USDA-ARS e publicada na revista Biology Letters mostra que as abelhas conseguem identificar a presença de vírus em alimentos, embora isso não leve necessariamente à recusa do consumo.
Em alguns contextos, os insetos chegaram até a demonstrar preferência por fontes contaminadas, o que contraria a ideia de que a detecção de risco resulta automaticamente em evitação.
O trabalho avaliou o comportamento de diferentes grupos em testes conduzidos em laboratório e também em colmeias em ambiente natural.
Abelhas ajudando
Abelhas foram expostas a duas opções de alimentação, xarope de açúcar puro e xarope contaminado com vírus. Entre os patógenos avaliados estavam o Deformed Wing Virus (DWV), o vírus da célula real negra (BQCV) e o vírus da paralisia crônica (CBPV).
A resposta varia conforme:
- Tipo de indivíduo
- Estação do ano
- Carga viral presente no alimento
Abelhas nutrizes:
- Evitam alimentos contaminados no verão
- Podem preferi-los no outono
Abelhas forrageiras:
- Demonstram preferência consistente por soluções com alta carga viral
- Destaque para o DWV
O DWV está associado ao ácaro Varroa destructor
- Facilita a disseminação de infecções
- Causa danos físicos aos insetos
A detecção do patógeno não garante comportamento de proteção. O padrão observado sugere:
- Processos fisiológicos complexos
- Influência da organização social da colmeia
- Relação com o conceito de imunidade social em insetos
A alimentação coletiva na apicultura pode:
- Facilitar a disseminação de vírus
- Espalhar infecções entre colmeias e espécies diferentes
Mais investigações
Os autores destacam que ainda não se sabe exatamente como as abelhas detectam os vírus, nem se há diferenças de sensibilidade entre indivíduos.
Também permanece em aberto a razão pela qual alguns grupos demonstram preferência por alimentos contaminados.
A pesquisa aponta que compreender esses mecanismos pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de controle de doenças, ajudando a proteger colmeias e polinizadores, essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e a produção agrícola.





