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Morre médico brasileiro que fez o 1º transplante de fígado e a 1ª clonagem de porco

Por Leticia Florenço
29/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Silvano Raia - Foto: Reprodução Globo News

Silvano Raia - Foto: Reprodução Globo News

Morreu aos 95 anos o médico brasileiro Silvano Mário Attílio Raia, um dos nomes mais importantes da história da medicina latino-americana e referência mundial em cirurgia hepática e transplantes.

A informação foi confirmada pela Academia Nacional de Medicina (ANM), que destacou a trajetória marcada por inovação, excelência acadêmica e dedicação ao ensino e à assistência médica.

Segundo a entidade, o médico faleceu em decorrência de complicações pulmonares. A morte gerou forte comoção no meio científico e médico, especialmente entre profissionais formados sob sua influência direta.

Um pioneiro da medicina moderna

Silvano Raia se formou em 1956 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), instituição onde construiu toda a sua carreira acadêmica e científica.

Ao longo de mais de quatro décadas, atuou como professor e formador de gerações de cirurgiões, consolidando-se como uma das figuras centrais da cirurgia brasileira.

Sua atuação foi decisiva para transformar o Brasil em referência internacional na área de transplantes, especialmente de fígado, um dos procedimentos mais complexos da medicina moderna.

O primeiro transplante de fígado da américa latina

Raia foi pioneiro na realização de transplantes hepáticos na América Latina, conduzindo procedimentos históricos no Hospital das Clínicas da USP, onde também criou a Unidade de Fígado.

Entre suas conquistas mais relevantes está a liderança do primeiro transplante de fígado com doador falecido na região. O feito abriu caminho para o desenvolvimento de protocolos mais seguros e estruturados no continente.

A técnica desenvolvida e aplicada por Raia ampliou as possibilidades terapêuticas e passou a salvar milhares de vidas, consolidando o transplante hepático como alternativa real para pacientes em estado crítico.

Inovação

Um dos marcos mais importantes de sua carreira ocorreu em 1988, quando o médico realizou o primeiro transplante de fígado com doador vivo descrito na literatura mundial.

Esse procedimento representou uma virada na medicina, permitindo que pacientes recebessem parte de um órgão saudável de um doador vivo, reduzindo a dependência exclusiva de doadores falecidos e aumentando significativamente as chances de sobrevivência em casos urgentes.

O Ministério da Saúde destacou que sua contribuição foi fundamental para a expansão da rede de transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS), ajudando a estruturar equipes, ampliar serviços e democratizar o acesso a procedimentos de alta complexidade no Brasil.

Contribuição para a ciência e o ensino

Ao longo de sua carreira, Silvano Raia também se destacou como pesquisador e educador. Ele publicou mais de 100 trabalhos científicos no Brasil e dezenas de estudos no exterior, além de colaborar com capítulos de livros especializados.

Sua atuação acadêmica inclui ainda a orientação de dezenas de pesquisadores, com 12 dissertações de mestrado, 13 teses de doutorado e três trabalhos de livre-docência.

A Faculdade de Medicina da USP ressaltou que sua contribuição foi essencial para a formação de novas gerações de médicos, sempre guiada pelo rigor científico e pela busca por inovação.

Xenotransplantes

Nos últimos anos de vida, Raia se dedicava a pesquisas em xenotransplantes, área que estuda o uso de órgãos de animais geneticamente modificados para transplante em seres humanos.

Em março deste ano, ele participou de uma iniciativa da USP que resultou na clonagem do primeiro porco na América Latina com foco em futuras aplicações médicas.

O objetivo era avançar na possibilidade de fornecer órgãos compatíveis para transplantes humanos, especialmente para atender demandas do SUS.

Seu legado

A Academia Nacional de Medicina definiu Raia como um dos maiores nomes da medicina brasileira e latino-americana, destacando sua dedicação “inabalável ao ensino e à assistência médica”.

O presidente da instituição, Antonio Egidio Nardi, afirmou que o cirurgião foi mais do que um grande médico: um símbolo de compromisso com a ciência e com o futuro da medicina no Brasil.

Considerado um dos grandes nomes da cirurgia mundial, Raia deixa uma herança científica que continuará influenciando a medicina por muitas gerações.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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