Um ex-empregado da Caixa Econômica Federal tornou-se alvo de ação judicial após ser acusado de desviar dinheiro da agência onde trabalhava para financiar apostas online.
O rapaz não identificado, de 38 anos, teria utilizado valores sob sua responsabilidade como caixa/tesoureiro para alimentar plataformas de jogos, causando prejuízo financeiro à instituição.
O caso tramita na Justiça Federal do Amapá e envolve acusações de fraude, improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.
Auditoria interna identificou desfalque superior a R$ 17 mil
A irregularidade foi descoberta em janeiro de 2025, durante uma conferência de rotina realizada na Agência Pacoval, em Macapá.
Segundo documentos do processo, a auditoria encontrou um desfalque inicial de R$ 17.238,24 no caixa sob responsabilidade direta do funcionário. As investigações apontaram que o rapaz manipulava os registros de fechamento diário, inserindo valores fictícios para mascarar a falta de numerário.
A prática permitiu que o esquema permanecesse oculto até a conferência mais detalhada.
Investigação aponta uso de contas de terceiros para movimentar valores
De acordo com a ação, ele confessou em procedimento administrativo que utilizava o dinheiro para fins pessoais relacionados ao vício em apostas online.
O processo detalha que os valores eram depositados na conta da mãe do investigado e posteriormente transferidos via Pix para sua conta pessoal. Essa estratégia teria sido utilizada para dificultar o rastreamento das operações.
A Caixa sustenta que o modelo revela planejamento e tentativa deliberada de ocultar a origem dos recursos desviados.
Defesa cita ludopatia, mas conselhos disciplinares rejeitam justificativa
Durante sua defesa administrativa, o ex-funcionário alegou sofrer de ludopatia, transtorno psicológico caracterizado pelo vício compulsivo em jogos. Ele afirmou enfrentar desespero financeiro e estar em tratamento psicológico e psiquiátrico.
Apesar disso, o Conselho Disciplinar da Caixa concluiu que as ações ocorreram de forma consciente, organizada e intencional.
A instituição entendeu que houve plena capacidade de discernimento durante a execução das fraudes.
Demissão por justa causa foi confirmada pela Caixa
Após a conclusão do Processo Disciplinar e Civil, o acusado foi demitido por justa causa.
A decisão foi tomada por unanimidade e mantida após recurso em setembro de 2025. Além da perda do cargo, ele foi responsabilizado administrativamente pela devolução integral dos valores desviados.
Com correções monetárias, juros e atualização financeira, o débito passou para R$ 19.346,36.
Caixa cobra ressarcimento e aplicação de sanções severas
Na ação judicial, a Caixa Econômica Federal requer:
- Ressarcimento integral do prejuízo;
- Aplicação de multa civil;
- Indisponibilidade de bens;
- Suspensão dos direitos políticos por até 12 anos;
- Penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa.
O processo foi protocolado em março de 2026 e ainda está em fase inicial de tramitação.
Até o momento, não houve decisão definitiva sobre o mérito, mas a Justiça avalia medidas cautelares, incluindo possíveis bloqueios patrimoniais. A Caixa informou oficialmente que colabora com as autoridades, fornecendo todos os documentos e informações necessários para a investigação.
O caso expõe a importância de mecanismos rigorosos de auditoria e controle em instituições financeiras, além de reforçar a necessidade de atenção à saúde mental no ambiente corporativo.





