A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um comunicado urgente reforçando a necessidade de equilibrar o acesso às chamadas canetas emagrecedoras com a garantia de segurança dos pacientes.
O presidente do órgão, Leandro Safatle, destacou que, apesar da importância terapêutica desses medicamentos, o uso indiscriminado e fora dos padrões regulatórios representa um risco crescente à saúde pública.
Segundo a agência, o avanço do consumo desses produtos, especialmente impulsionado por redes sociais e pelo mercado paralelo, tem exigido uma resposta mais rígida do Estado.
Crescimento do uso e preocupação com automedicação
A Anvisa observa que medicamentos originalmente indicados para tratamento de diabetes e obesidade passaram a ser amplamente utilizados com finalidade estética, muitas vezes sem prescrição médica adequada.
Esse cenário preocupa autoridades sanitárias, que alertam para a possibilidade de efeitos adversos, falta de acompanhamento clínico e uso de substâncias sem garantia de procedência.
Safatle reforça que o problema não está apenas no acesso, mas na forma como esses produtos vêm sendo consumidos, frequentemente como soluções rápidas para emagrecimento.
Restrição a importações e farmácias de manipulação
Nas últimas semanas, a agência endureceu o controle sobre duas principais portas de entrada de medicamentos irregulares: importações vindas do Paraguai e produção em farmácias de manipulação.
De acordo com a Anvisa, foram identificados casos de produtos sem registro, mal transportados e fora de padrões sanitários mínimos.
O órgão também destacou que parte das farmácias vinha operando em escala incompatível com a prescrição individual, o que contraria as normas vigentes. As medidas foram tomadas em conjunto com a Polícia Federal, que tem atuado em operações contra redes de distribuição irregular.
Ações de fiscalização e apreensões
A intensificação da fiscalização resultou em um aumento expressivo no número de inspeções realizadas pela Anvisa. Apenas em 2026, foram feitas dezenas de vistorias em estabelecimentos ligados à manipulação de emagrecedores, com a interdição de mais de 1,3 milhão de unidades de produtos considerados irregulares.
Segundo o órgão, os resultados das operações indicam a presença de medicamentos sem garantia de qualidade, o que levou ao reforço de medidas regulatórias e ao aperfeiçoamento dos critérios de controle.
Medicamentos populares e uso fora da indicação
Entre os medicamentos mais conhecidos envolvidos nesse cenário estão substâncias como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Victoza, todas pertencentes à classe dos agonistas de GLP-1. Esses fármacos atuam no controle da glicose e na regulação da saciedade, sendo indicados principalmente para diabetes e obesidade.
No entanto, o uso fora das indicações médicas, especialmente com finalidade estética, tem gerado alerta entre especialistas e entidades médicas, que apontam riscos à saúde quando não há acompanhamento profissional.
Farmácias de manipulação sob novas regras
A Anvisa também prepara um endurecimento das regras para farmácias de manipulação, que deverão passar a atender exigências mais rigorosas de controle sanitário. Entre as medidas em discussão está a exigência do Certificado de Boas Práticas de Fabricação para insumos utilizados na produção desses medicamentos.
O objetivo é aumentar a rastreabilidade e reduzir o risco de fabricação em condições inadequadas, garantindo maior segurança ao consumidor final.
Pressão social
Outro ponto de atenção do órgão regulador é a influência das redes sociais na popularização das canetas emagrecedoras. A Anvisa alerta para a disseminação de conteúdos que tratam esses medicamentos como soluções estéticas rápidas, sem considerar seus riscos clínicos.
Além disso, há preocupação com a circulação de substâncias sem registro ou ainda em fase de pesquisa, vendidas ilegalmente na internet, o que amplia o risco sanitário.
Próximos passos da regulamentação
As novas regras para o setor devem ser votadas ainda neste mês pela diretoria da Anvisa. O pacote regulatório inclui maior controle sobre farmácias de manipulação, restrições à importação irregular e reforço na fiscalização de insumos.
O órgão também mantém diálogo com conselhos profissionais de medicina, farmácia e odontologia para orientar o uso correto desses medicamentos e reduzir o uso indevido.





