A proposta que prevê o fim da escala 6×1, modelo de trabalho com seis dias consecutivos de atividade e apenas um de descanso, avançou na Câmara dos Deputados, mas ainda está longe de se tornar realidade.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam do tema, permitindo que o debate siga para as próximas fases do processo legislativo.
Essa etapa, embora relevante, não significa aprovação definitiva. A CCJ apenas avalia se as propostas estão de acordo com a Constituição, abrindo caminho para discussões mais profundas sobre o conteúdo.
Propostas diferentes
As duas PECs em tramitação foram unificadas por tratarem do mesmo assunto. De um lado, a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) defende a redução da jornada com adoção de um modelo mais flexível, como a escala 4×3.
De outro, o texto do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) sugere uma redução gradual da carga semanal de trabalho, passando das atuais 44 horas para 36 horas ao longo de uma década.
O relatório aprovado na CCJ foi elaborado pelo deputado Paulo Azi (União-BA), que se posicionou favorável ao avanço da proposta, mas destacou a necessidade de uma transição cuidadosa para evitar impactos bruscos na economia.
Próxima etapa será decisiva
Com o aval da CCJ, o texto segue agora para uma comissão especial da Câmara, onde o mérito da proposta será debatido. É nessa fase que parlamentares poderão alterar pontos do texto, propor ajustes e ouvir representantes de diferentes setores da sociedade.
A comissão terá um prazo mínimo de dez sessões para discutir o tema antes de votar um novo parecer. Esse período pode ser mais curto na prática, dependendo do ritmo das reuniões.
Caminho até virar lei ainda é longo
Para que o fim da escala 6×1 seja aprovado, a proposta ainda precisará passar por votações rigorosas. Na Câmara dos Deputados, são necessários 308 votos favoráveis em dois turnos. Caso avance, o texto segue para o Senado, onde também deverá ser aprovado em dois turnos, com pelo menos 49 votos.
Somente após essa etapa a mudança poderá ser promulgada e passar a valer.
Governo entra no debate com proposta própria
Paralelamente às PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um projeto de lei que também trata da jornada de trabalho. A proposta prevê a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e impede a redução salarial.
O projeto foi enviado com urgência constitucional, o que obriga o Congresso a analisá-lo em até 45 dias, aumentando a pressão sobre parlamentares.
Tema ganha força com apoio popular
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou grande repercussão nas redes sociais e passou a mobilizar diferentes setores da sociedade. Movimentos organizados, trabalhadores e influenciadores têm pressionado por mudanças, argumentando que o modelo atual é exaustivo e incompatível com a busca por qualidade de vida.
Pesquisas indicam que a maioria da população apoia a redução da jornada. No entanto, dentro do Congresso, o cenário é mais dividido, o que pode dificultar a aprovação.
Argumentos refletem disputa entre bem-estar e economia
Defensores da proposta afirmam que a redução da jornada pode melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores, aumentar a produtividade e alinhar o Brasil a práticas já adotadas em outros países. Também argumentam que mais tempo livre pode impulsionar o consumo e aquecer a economia.
Por outro lado, críticos alertam para possíveis efeitos negativos, como aumento de custos para empresas, elevação de preços e impacto sobre pequenos negócios. Há ainda o receio de que mudanças desse tipo incentivem a informalidade no mercado de trabalho.
Apesar do progresso na tramitação, o fim da escala 6×1 ainda depende de negociações complexas e de amplo apoio político. Até lá, o tema seguirá no centro das atenções, dividindo opiniões e mobilizando o país.





