Criado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), o actígrafo brasileiro passou a integrar pesquisas espaciais.
O equipamento foi concebido para uso exclusivamente científico, com aplicação em estudos sobre sono, neurociências e saúde pública.
Diferentemente de relógios inteligentes de uso cotidiano, possui calibragem específica para a análise detalhada dos ritmos circadianos.
A tecnologia foi utilizada por astronautas na missão Artemis II, conduzida pela NASA, para monitorar continuamente os efeitos do ambiente espacial sobre o organismo humano.
Ao registrar parâmetros ligados ao sono e à atividade corporal, o dispositivo permite avaliar como a ausência do ciclo natural de claro e escuro interfere no funcionamento biológico em condições de microgravidade.
Tecnologia brasileira na Artemis II
Funcionamento do equipamento
- Utilizado no pulso, como um relógio, o actígrafo registra atividade motora, níveis de movimentação corporal e exposição à luz ao longo do dia.
- Mede luz azul e luz melanópica, associadas ao ajuste do relógio biológico ao ambiente.
- Identifica períodos de sono a partir da ausência de movimento, correlacionando repouso, atividade e estímulos luminosos.
Importância em missões espaciais
- O controle dos ritmos circadianos é estratégico para manter o equilíbrio fisiológico em ambientes extremos.
- A ausência de alternância natural entre claro e escuro no espaço pode desregular o ciclo sono vigília.
Riscos da privação de sono
- A falta ou fragmentação do sono pode causar fadiga e reduzir o desempenho cognitivo.
- Há aumento do risco de falhas em tarefas operacionais sensíveis.
Evolução do projeto
A tecnologia foi desenvolvida a partir de investigações conduzidas na EACH-USP, com apoio financeiro do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
À medida que o projeto evoluiu, o actígrafo passou a ser fabricado pela Condor Instruments, o que possibilitou a ampliação de sua utilização em pesquisas científicas no Brasil e em outros países.
Para além do uso em missões espaciais, o equipamento integra estudos sobre distúrbios do sono e pesquisas que investigam como a exposição irregular à luz e mudanças nos horários cotidianos influenciam o funcionamento do organismo.





