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Adoçante pode não ser tão inofensivo quanto parece, diz estudo

Por Leticia Florenço
16/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Adoçante - Reprodução/iStock

Adoçante - Reprodução/iStock

O uso de adoçantes artificiais e naturais se tornou parte da rotina de milhões de pessoas, principalmente entre aqueles que buscam reduzir o consumo de açúcar.

No entanto, um estudo recente levanta questionamentos importantes sobre a segurança desses produtos a longo prazo. Embora sejam amplamente considerados alternativas mais saudáveis, novas evidências sugerem que seus efeitos no organismo podem ser mais complexos do que se imaginava.

Um experimento que atravessou gerações

A pesquisa analisou 47 camundongos divididos em grupos distintos, submetidos ao consumo de água pura ou água com adoçantes como sucralose e estévia, em quantidades semelhantes às consumidas por humanos.

O diferencial do estudo foi acompanhar não apenas os animais diretamente expostos, mas também seus descendentes ao longo de duas gerações.

Mesmo após a interrupção do consumo dos adoçantes nas gerações seguintes, os cientistas observaram que alguns efeitos persistiram, indicando uma possível herança biológica dessas alterações. Esse tipo de abordagem amplia o debate sobre impactos que podem ultrapassar o indivíduo e atingir futuras gerações.

Alterações silenciosas no organismo

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Os testes realizados incluíram análises de tolerância à glicose, um indicador importante para avaliar riscos relacionados ao metabolismo, como a resistência à insulina. Os resultados mostraram que, já na primeira geração, houve sinais de alterações metabólicas em descendentes de animais expostos à sucralose.

Na segunda geração, os efeitos se tornaram mais abrangentes, atingindo também descendentes de animais que consumiram estévia. Embora os camundongos não tenham desenvolvido doenças como diabetes, os indícios de desequilíbrios metabólicos chamaram a atenção dos pesquisadores.

O papel da microbiota intestinal

Outro ponto relevante foi a análise da microbiota intestinal, o conjunto de bactérias que desempenha funções essenciais no organismo. Os animais expostos aos adoçantes apresentaram mudanças significativas nesse ecossistema.

Curiosamente, embora tenha havido aumento na diversidade de bactérias, houve redução na produção de compostos considerados benéficos para a saúde. Esse desequilíbrio pode afetar processos importantes, como a digestão, a imunidade e até o controle do metabolismo.

Sucralose em destaque

Entre os adoçantes avaliados, a sucralose demonstrou impacto mais intenso e duradouro. Os pesquisadores identificaram maior presença de bactérias potencialmente prejudiciais e alterações em genes ligados à inflamação e ao metabolismo.

Esses efeitos persistiram por duas gerações, sugerindo que a substância pode provocar mudanças mais profundas no organismo. Já a estévia apresentou alterações mais leves e limitadas a uma única geração, o que indica diferenças importantes entre os tipos de adoçantes.

Risco não imediato

Apesar dos achados, os cientistas reforçam que não houve desenvolvimento direto de doenças nos animais. As mudanças observadas são consideradas iniciais, mas podem aumentar a vulnerabilidade a problemas de saúde dependendo de outros fatores, como dieta inadequada ou predisposição genética.

Isso significa que o consumo de adoçantes, por si só, não representa um risco imediato, mas pode contribuir para um cenário mais propenso a complicações ao longo do tempo.

Limitações e interpretações necessárias

Um dos pontos mais destacados pelos próprios autores é que os resultados não podem ser aplicados diretamente aos seres humanos. Estudos com animais são fundamentais para entender mecanismos biológicos, mas possuem limitações importantes.

Além disso, fatores específicos do comportamento dos camundongos, como hábitos alimentares e características fisiológicas, podem influenciar os resultados. Por isso, especialistas recomendam cautela na interpretação e reforçam a necessidade de mais pesquisas.

Diante das incertezas, a principal recomendação dos especialistas é o equilíbrio. O consumo moderado de adoçantes continua sendo considerado seguro dentro dos limites atuais, mas o uso excessivo pode não ser tão inofensivo quanto se pensava.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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