Dormir bem deixou de ser apenas uma questão de “deitar e fechar os olhos”. Em um mundo cada vez mais acelerado, com excesso de estímulos e rotinas irregulares, a qualidade do sono se tornou um verdadeiro desafio moderno.
O descanso noturno depende de uma combinação de fatores que vão muito além do cansaço físico, envolvendo ambiente, hábitos diários e até a forma como lidamos com a luz do dia.
Em entrevista ao La Nación, a especialista destacou que pequenas mudanças de comportamento podem transformar completamente a forma como dormimos, ajudando o corpo a entrar em um ciclo mais profundo e restaurador.
O quarto como foco principal do descanso
O ambiente onde dormimos tem papel decisivo na qualidade do sono. Não basta apenas ter uma cama confortável, o quarto precisa ser preparado para induzir o relaxamento do cérebro.
A recomendação é um espaço escuro, silencioso e livre de telas. A presença de luz artificial, especialmente a emitida por celulares e televisores, interfere diretamente na produção de melatonina, o hormônio responsável pela indução do sono.
Além disso, a especialista ressalta a importância da temperatura. Ambientes muito quentes ou muito frios dificultam o relaxamento do corpo, enquanto uma temperatura equilibrada favorece o início do sono profundo.
Os três pontos essenciais para dormir melhor
Valiensi resume os hábitos mais importantes em três práticas fundamentais que funcionam como “mandamentos” do sono saudável:
- Rotina regular: Manter horários fixos para dormir e acordar ajuda o organismo a criar um ritmo biológico estável. Esse padrão reduz episódios de insônia e facilita o adormecer natural, pois o cérebro passa a reconhecer o momento de descanso.
- Exposição ao sol: Tomar sol diariamente, preferencialmente no mesmo horário, é uma forma de regular o ciclo circadiano. A luz natural funciona como um “ajuste interno” do corpo, ajudando a diferenciar o período de vigília e o de descanso.
- Exercício físico no momento certo: A prática de atividades físicas durante o dia melhora a qualidade do sono à noite. Porém, exercícios realizados muito tarde podem ter o efeito contrário, estimulando o corpo e atrasando o início do relaxamento.
Dormir nas férias não significa recuperar tudo
Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é acreditar que é possível compensar noites mal dormidas durante períodos de descanso, como férias.
O organismo não funciona como uma conta acumulativa simples. Embora pessoas com privação leve possam apresentar alguma melhora, não é possível “recuperar” totalmente o sono perdido ao longo de semanas ou meses. O corpo precisa de constância, não de compensações pontuais.
Álcool antes de dormir
O consumo de bebidas alcoólicas à noite é frequentemente associado ao relaxamento, mas o efeito é enganoso. Embora um copo de vinho possa induzir sonolência inicial, ele compromete a qualidade do descanso ao longo da noite.
O álcool pode fragmentar o sono, provocar despertares frequentes e até agravar problemas respiratórios como a apneia. Por isso, a recomendação é evitar o consumo regular antes de dormir, especialmente em noites em que se busca um descanso realmente reparador.
O impacto da idade no padrão do sono
Com o passar dos anos, o sono naturalmente se transforma. A neurologista explica que o ritmo circadiano tende a mudar, fazendo com que muitas pessoas durmam e acordem mais cedo.
Além disso, o sono na fase idosa costuma ser mais leve e fragmentado. Isso não é necessariamente um problema isolado da idade, mas pode ser agravado por dores, doenças e condições ambientais inadequadas.
Ou seja, a qualidade do sono na maturidade depende tanto do envelhecimento natural quanto dos hábitos e do ambiente em que a pessoa dorme.
Assim, compreender o sono como parte essencial do estilo de vida é o primeiro passo para transformar noites mal dormidas em períodos de recuperação profunda. Afinal, dormir bem não é luxo, é equilíbrio, saúde e qualidade de vida.





