Cientistas da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, em parceria com a NASA, conduziram um estudo publicado recentemente na revista científica Nature que analisou mais de 1,16 milhão de imagens diárias capturadas pelo projeto Black Marble.
O trabalho utilizou métodos que filtram interferências como luz da Lua, auroras e efeitos atmosféricos, garantindo maior precisão na avaliação da luminosidade noturna da Terra.
A pesquisa revelou que o brilho noturno do planeta não aumenta de forma contínua, como se acreditava, mas apresenta variações voláteis e sensíveis a eventos globais.
Esses dados permitem observar impactos imediatos de crises, políticas públicas e acontecimentos globais, oferecendo uma visão mais detalhada de como a atividade humana afeta a iluminação artificial em diferentes regiões.
Mudanças no brilho
Para garantir precisão, os pesquisadores desenvolveram o algoritmo VZA-COLD, capaz de corrigir diferenças de ângulo de visão dos satélites e assegurar que as variações observadas representem mudanças reais na luminosidade.
A análise detectou efeitos imediatos de grandes acontecimentos, como:
- Guerra na Ucrânia
- Conflitos na Síria e no Iémen
- Pandemia de Covid-19
- Crises energéticas na Europa
É possível distinguir mudanças abruptas de longo prazo de ruídos de sensores. Entre 2014 e 2022, a iluminação artificial global teve aumento líquido de 16%, mas com oscilações regionais. O crescimento de 34% no brilho foi parcialmente compensado por escurecimentos simultâneos de 18%.
Luminosidade das regiões
Regiões da África Subsaariana e do Sudeste Asiático registraram aumento expressivo do brilho, associado a:
- Expansão urbana
- Desenvolvimento de infraestrutura
- Eletrificação rural
A Europa apresentou tendência de escurecimento, atribuída a:
- Políticas de eficiência energética
- Adoção de tecnologias como LEDs
- Medidas de desligamento de luzes desnecessárias
O escurecimento europeu reflete adaptação governamental, não declínio econômico.
Em 2022, os países com maior luminosidade foram:
- Estados Unidos (liderando)
- China
- Índia
- Canadá
- Brasil
Para os pesquisadores, a luz noturna funciona como um “pulsar da sociedade”, mostrando respostas humanas a crises, políticas públicas e eventos globais.






