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Pesquisas mostram que suplemento popular pode reduzir a pressão arterial

Por Leticia Florenço
09/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Remédio - Reprodução/iStock

Remédio - Reprodução/iStock

O mononucleotídeo de nicotinamida (NMN), suplemento que ganhou grande popularidade nos últimos anos por seu potencial efeito “anti-idade”, voltou a ser destaque após novos estudos indicarem uma possível relação entre seu uso e pequenas reduções na pressão arterial.

Apesar do interesse crescente, os cientistas reforçam que os resultados ainda são iniciais e precisam de mais confirmação.

O NMN é uma molécula que participa diretamente da produção de NAD+, uma coenzima essencial para o funcionamento das células. O NAD+ desempenha funções fundamentais no organismo, como a produção de energia, o reparo do DNA e a regulação do metabolismo celular.

Com o envelhecimento, os níveis de NAD+ diminuem naturalmente, o que levou ao aumento do interesse pelo NMN como suplemento capaz de restaurar esses níveis.

Essa proposta fez com que ele se tornasse amplamente associado a estratégias de longevidade e combate ao envelhecimento, embora muitas dessas alegações ainda estejam sob investigação científica.

O que mostram os novos estudos sobre pressão arterial

Uma meta-análise publicada na revista científica Nutrients avaliou 10 ensaios clínicos randomizados para investigar os efeitos do NMN na pressão arterial. Os resultados indicaram uma leve redução na pressão arterial diastólica, enquanto a pressão sistólica, no geral, não apresentou mudanças significativas.

Entretanto, uma análise separada de subgrupos revelou que adultos com 60 anos ou mais podem ter apresentado uma redução mais perceptível na pressão sistólica, em torno de 3,94 mmHg.

Apesar disso, os pesquisadores reforçam que o efeito ainda é pequeno e não pode ser considerado clinicamente expressivo.

Interpretação dos especialistas sobre os resultados

Especialistas em nutrição e farmacologia destacam que, embora os resultados sejam estatisticamente detectáveis, eles ainda são modestos na prática clínica.

A redução média observada na pressão diastólica foi de cerca de 2 mmHg, um valor considerado baixo quando comparado a intervenções tradicionais para controle da hipertensão.

Além disso, os cientistas alertam que os estudos analisados são pequenos e de curta duração, o que limita a força das conclusões.

Limitações da pesquisa atual

Os pesquisadores ressaltam que a meta-análise se baseou em um número reduzido de participantes, totalizando aproximadamente 349 pessoas. Outro ponto importante é que os estudos incluídos não avaliaram desfechos cardiovasculares relevantes, como infarto, AVC ou mortalidade.

Isso significa que, apesar de existir um sinal de efeito na pressão arterial, ainda não há evidências suficientes para afirmar que o NMN traz benefícios concretos para a saúde cardiovascular a longo prazo.

Como o NMN atua no organismo

O NMN funciona como precursor direto do NAD+, uma molécula essencial para diversas funções celulares. O NAD+ está envolvido em processos de metabolismo energético, manutenção da integridade do DNA e funcionamento geral das células.

Embora o aumento dos níveis de NAD+ seja observado em alguns contextos de suplementação, ainda não está claro se isso se traduz automaticamente em benefícios clínicos significativos, como melhora consistente da pressão arterial ou prevenção de doenças.

Possíveis efeitos em pessoas mais velhas

Um dos achados mais discutidos do estudo foi a possibilidade de que idosos apresentem uma resposta ligeiramente mais positiva ao NMN. Em pessoas com mais de 60 anos, a redução da pressão sistólica foi mais evidente em comparação com outros grupos.

Ainda assim, os pesquisadores reforçam que esse resultado precisa ser replicado em estudos maiores, com maior duração e melhor controle metodológico antes de ser considerado conclusivo.

Comparação com mudanças no estilo de vida

Especialistas destacam que, mesmo que o NMN apresente algum efeito, ele ainda é inferior a intervenções tradicionais de estilo de vida no controle da pressão arterial.

Medidas como dieta equilibrada, especialmente a dieta DASH, prática regular de exercícios físicos, redução do consumo de sal e controle do peso corporal apresentam resultados mais consistentes e significativos.

A dieta DASH, por exemplo, pode reduzir a pressão sistólica em valores muito superiores aos observados até agora com o NMN.

As evidências atuais sugerem que o NMN pode ter um efeito leve na redução da pressão arterial, especialmente em populações mais velhas. No entanto, esses resultados ainda são preliminares e não suficientes para recomendar o suplemento como estratégia de controle da hipertensão.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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