Cerca de 70 milhões de brasileiros estão endividados, o equivalente a 43% da população, segundo dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil.
Dados do Banco Central indicam que, em janeiro de 2026, a relação entre dívida e renda das famílias atingiu 49,7%, enquanto 29,3% da renda mensal estava comprometida com o pagamento de débitos, o maior patamar desde 2011.
Diante desse cenário, o governo federal finaliza a elaboração de um novo programa de renegociação de dívidas que pode conceder descontos de até 90% aos inadimplentes.
A proposta, desenvolvida pelo Ministério da Fazenda e com previsão de ser concluída nesta semana pelo presidente Lula, pretende reduzir o nível de endividamento das famílias brasileiras antes das eleições de 2026 e produzir efeitos no curto prazo.
Nova versão do Desenrola para dívidas
Foco da iniciativa
- Prioridade para dívidas de alto custo: rotativo do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.
- Integra pacote mais amplo de reorganização das finanças familiares diante da pressão sobre o orçamento doméstico.
Mecanismos de controle
- Previsão de “trava” para evitar novo endividamento imediato após a renegociação.
- Possíveis restrições ao uso de crédito caro, como o rotativo do cartão.
- Estudo de limitações de gastos em plataformas de apostas esportivas.
- Objetivo de reduzir reincidência na inadimplência e estimular responsabilidade financeira.
Estrutura financeira e ampliação
- Avaliação do uso de fundos públicos como garantia parcial às instituições financeiras.
- Possível ampliação do programa para microempreendedores individuais, pequenas e médias empresas.
Tramitação
Nos últimos dias, o presidente promoveu reuniões com representantes da Federação Brasileira de Bancos, Associação Brasileira de Bancos, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, Zetta e Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento para alinhar os pontos técnicos da nova proposta de renegociação.
A iniciativa segue a linha do ‘Desenrola Brasil‘, criado em 2023, que alcançou milhões de pessoas e ajudou a reduzir os índices de inadimplência entre consumidores de baixa renda.
Embora o conteúdo já esteja em fase final de definição, o texto ainda não foi divulgado oficialmente e poderá ser instituído por medida provisória ou decreto após a conclusão dos ajustes.





